António Vieira Monteiro, presidente do Conselho de Administração do Santander, morreu na sequência de uma infeção pelo novo coronavírus.

De acordo com fonte familiar, em declarações à TVI, António Vieira Monteiro estava internado no Hospital  de São José, para onde foi transferido, depois de ter estado internado no Curry Cabral, em Lisboa. 

Vieira Monteiro terá contraído a doença em Itália, onde esteve de férias. Foi hospitalizado assim que chegou a Portugal. Dois dos seus filhos estão também infetados com o novo coronavírus. 

O presidente do Conselho de Administração do Santander é a segunda morte por covid-19. O primeiro óbito registado foi Mário Veríssimo, antigo massagista que trabalhou com o treinador Jorge Jesus no Estrela da Amadora. Tinha 80 anos e já estava internado há vários dias no Hospital de Santa Maria, em Lisboa

Vieira Monteiro era 'chairman' do banco Santander Totta desde início de 2019, depois de ter ocupado o lugar de presidente executivo (CEO) entre 2012 e o ano passado, cargo em que foi substituído pelo atual presidente, Pedro Castro Almeida.

Quando abandonou a liderança executiva do Santander Totta, Vieira Monteiro, considerou que deixava o cargo com o banco "preparado para continuar a enfrentar o futuro" e salientando que quando assumiu a liderança a instituição "não era quase nada".

Na mesma altura, Vieira Monteiro apontou ainda a "aposta calculada" nas empresas como um dos fatores do sucesso da instituição.

Ao fim de sete anos, eu vou continuar no banco, vou ser presidente do Conselho de Administração e, portanto, vou continuar no banco, acho que já tenho idade de deixar a parte executiva, já que vou fazer 73 anos, […] mas aquilo que hei de dizer é que há sete anos quando entrei o banco não era quase nada", afirmou.

Manuel Champalimaud era amigo de Vieira Monteiro e foram colegas de escola. Por escrito, em declarações à TVI, reagiu à morte do amigo: “Além de eu perder um amigo, o sistema financeiro Português perde um dos poucos banqueiros que pelo seu profissionalismo, competência e idoneidade se destacou pela positiva.”

A presidente do Grupo Santander, Ana Botín, lamentou a morte de "um querido amigo e um grande líder e profissional", acrescentando que este "é um dos momentos mais tristes" que já viveu naquela instituição bancária.

Na mesma mensagem, Ana Botín revelou que a filha de Vieira Monteiro não poderá marcar presença no funeral do pai, uma vez que também foi diagnosticada com Covid-19.

António Vieira Monteiro, nascido em 21 de março de 1946, era licenciado em Direito e o seu percurso profissional esteve fortemente ligado ao setor da banca durante várias décadas, tendo “contribuído de forma inequívoca para levar o Santander a uma posição de grande destaque no panorama português”, considerou hoje a instituição bancária, num documento enviado à Lusa.

Vieira Monteiro tornou-se uma figura de peso na sociedade portuguesa e uma figura de destaque na história do Banco Santander em Portugal”, considerou o banco.

Vieira Monteiro, que já era administrador do Santander Totta, tornou-se, em janeiro de 2012, o sucessor de Nuno Amado, que saiu para presidir o BCP em substituição de Carlos Santos Ferreira.

Em 1970 começou o seu trajeto no Banco Português do Atlântico onde ficou até 1974, ano em que passou a integrar os quadros do Crédito Predial Português (CPP).

Entre 1976 e 1984 ocupou um lugar na administração do CPP.

De 1985 a 1989 integrou o BES e a administração do Libra Bank (Reino Unido).

Em 1989 começou a sua experiência na Caixa Geral de Depósitos (CGD), que se prolongou até ao fim do milénio.

Naqueles 11 anos ocupou o cargo de presidente executivo da Caixagest (1990–2000), presidente executivo do Banco da Extremadura, Banco Luso Espanhol e Banco Simeon (1991-1996), presidente executivo do Banco Nacional Ultramarino (1996 - 1999) e de vice-presidente da CGD (1993 - 2000).

Em 2000 assumiu o cargo de membro da administração do CPP e assistente da Comissão Executiva do Banco Totta & Açores.

Com a fusão do CPP e do Totta & Açores com o Banco Santander, Vieira Monteiro ocupou um lugar na Comissão Executiva, que só abandonou no final de 2018.