A Dinamarca anunciou esta quinta-feira suspender todas as inoculações com a vacina da AstraZeneca contra a covid-19. Em causa, está o registo de casos de trombose em pessoas vacinadas com um lote específico - o ABV5300 - distribuído em 17 países da União Europeia. Portugal não é um dos países atingidos.

O especialista em vacinas Miguel Prudêncio, o ex-presidente do Infarmed Hélder Mota Filipe e a virologista Laura Brum estiveram no programa Hoje É Notícia, n TVI24, onde analisaram o surgimento de casos de trombose em pessoas vacinadas com um lote específico do fármaco contra a covid-19

Miguel Prudêncio, especialista em vacinação do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, considera não existe motivo para um pânico e preocupação desmesurados.

Penso que não há razões para esta inquietação. Na medida, em que já foram muitos milhões de pessoas vacinados com esta vacina [AstraZeneca]. O que se observou agora parece ser um efeito circunscrito a um lote que não está em Portugal. Penso que é preciso relativizar esta questão de forma a que não se gere um pânico e uma preocupação desmesurados”, diz Miguel Prudêncio. 

 

O professor Hélder Mota Filipe, da Sociedade de Farmácia da Universidade de Lisboa e ex-presidente do Infarmed, considera que não há motivos para os portugueses desconfiarem da segurança do fármaco aprovado pela entidade europeia e pela FDA.

Temos de ter alguma cautela na forma como encaramos esta situação. Primeiro que tudo, não há certeza de haver um nexo de casualidade entre pessoas que tiveram fenómenos de trombose e a vacina. Outro aspeto importante que deve dar segurança às pessoas é que a farmacovigilância está a funcionar”, explica Hélder Mota Filipe.

 

Já a virologista Laura Brum considera que esta "é uma infeliz noticia", mas realça o facto deste lote não ter chegado a Portugal. Enaltecendo ainda a eficácia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, comprovada pela "entidade europeia e pela FDA".

A eficácia é comprovada através dos estudos que levaram à aprovação da vacina pela entidade europeia e pela FDA. A segurança de um lote é uma coisa que não devia acontecer, mas pelos vistos estamos perante uma situação dessas. Um lote específico que foi distribuído em 17 países. O nosso país não foi atingido por este lote. É uma infeliz noticia. A segurança de uma vacina é um fator fundamental para o público. É muito perturbador”, explica Laura Brum.

 

Miguel Prudêncio acrescenta que este fármaco já foi administrado a milhões de pessoas, sobretudo no Reino Unido, sem efeitos secundários negativos relevantes. O que leva a crer que este caso está circunscrito a apenas um lote que já foi identificado.

Acho que é importante termos uma perspetiva daquilo que se sabe até agora e é, relativamente, pouco. O problema que aconteceu diz respeito a um lote específico da vacina e a administração desse lote já foi suspensa em diversos países. É preciso dizer que este lote está identificado e, por outro lado, que esta vacina já foi administrada a milhões de pessoas. Portanto, já temos neste momento dados muito robustos, que vão para além dos que se obtiveram nos ensaios clínicos”, culmina Miguel Prudêncio.

 

Nuno Mandeiro