Dez e meia da manhã. Um homem tenta raptar um recém-nascido na maternidade do Hospital de Cascais. Entrou na unidade hospitalar e, no quinto piso, onde fica a maternidade, tenta desativar a pulseira antirapto do bebé, fazendo acionar o alarme.

Todas as portas da maternidade são automaticamente bloqueadas. Ninguém entra e ninguém sai. Mas o homem não se rende e barrica-se com o bebé, a mãe da criança e uma enfermeira num dos quartos.

Tendo em conta que o raptor se barricou na ala do quinto piso, foram acionadas as equipas do Grupo de Intervenção e Operações Especiais, foram empenhados também, em primeira linha, meios das forças de Alcabideche, em coordenação com a segurança do hospital”, explica a tenente Edna Almeida, da GNR.

As forças do Grupo de Intervenção e Operações Especiais (GIOE) da GNR respondem de imediato ao alerta.

Estamos perante um cenário de teste de meios e de coordenação entre forças de segurança. Pela primeira vez em Portugal, foi levado a cabo um simulacro de um rapto de um recém-nascido numa maternidade. Nunca antes as forças de segurança se tinham colocado à prova perante este cenário.

Foi só um teste, mas tudo foi feito, como se a situação fosse real. “Foi montado um cerco, de modo a garantir que nenhuma viatura pudesse entrar ou sair do hospital”, explica a porta-voz da GNR.

Além dos militares das operações especiais, outros agentes da GNR assumem posições dentro e fora do edifício. São bloqueadas todas as entradas e saídas e todas as estradas circundantes ao Hospital.

Enquanto isso, uma equipa de negociadores recolhe mais elementos sobre o raptor e tenta negociar uma rendição. Tiago está divorciado da mulher que acabou de dar à luz e tenta fugir com o recém-nascido, para impedir a mãe de levar a criança para a Suíça.

Mas, perante os argumentos dos negociadores, Tiago mostra-se irredutível:

Vou levar o meu filho, porque o filho é meu e eu vou levá-lo. Percebe? Ninguém me vai impedir, nem você, nem ninguém.”

Tiago recusa -se a ceder e provoca um incêndio num dos quartos. Os bombeiros de Alcabideche são acionados e trabalham em coordenação com as forças de segurança:

Pessoal, quinto piso, lado esquerdo, o incêndio está descontrolado. Estamos a aguardar a ordem das forças policiais, porque está uma operação policial em curso. Vamos preparar o material para avançarmos à ordem da GNR. Está bem?", ouve-se a coordenadora da equipa dos bombeiros explicar aos seus homens.

A iniciativa para este teste de meios partiu da GNR. Mas o hospital não hesitou um segundo antes de aceitar.

Temos crianças todos os dias no nosso hospital, temos mães todos os dias no nosso hospital e estas histórias vão acontecendo. Felizmente não com grande frequência, mas o importante é testarmos se temos ou não a capacidade de reagir com a prontidão necessária para que a situação seja resolvida. Nunca tínhamos testado uma situação de rapto, que, só por si, traz uma nova variável: a primeira força a chegar ao hospital é a GNR, não são os bombeiros como é habitual. E existe um risco evidente do lado de dentro que não está totalmente detetado”, explica Vasco Antunes Pereira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Cascais.

O Hospital de Cascais orgulha-se da acreditação pela Joint Commission International, por causa da segurança e qualidade na prestação de cuidados de saúde. É também o único Hospital em Portugal com a certificação HIMSS 7, que avalia os sistemas e tecnologias de informação na área hospitalar. Este simulacro trouxe uma mais valia para a manutenção destas certificações.

Foram identificadas situações que nos pareciam estar absolutamente asseguradas. Achamos que existem oportunidades de melhorar, em todos os órgãos que intervieram – a GNR, os bombeiros, as equipas de emergência do hospital. Todas tiveram um desempenho muito positivo, mas há sempre oportunidades de melhoria e é para isso que servem estes simulacros”, admite Vasco Antunes Pereira.

 

Temos de testar os nossos canais de emergência, as nossas situações adversas. Se não as treinarmos, não conseguimos coordenar-nos corretamente e não conseguimos tirar o melhor dos meios empregues na situação em causa.”

No simulacro, estiveram presentes seis elementos do subdestacamento da GNR de Alcabieche, 16 do destacamento de intervenção de Lisboa e 12 do GIOE, além de quatro oficiais de comando. Dos Bombeiros Voluntários de Alcabideche, estiveram presentes sete elementos.

Neste treino aconteceu aquilo que se espera que aconteça também na vida real: o sequestrador acabou detido pela GNR e o bebé Martim saiu ileso da situação.