A primeira-ministra britânica já disse que anunciará a demissão em junho, mas desde que apresentou um novo acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia - depois de o texto anterior ter sido rejeitado três vezes - várias vozes se levantaram, inclusivamente do governo, pedindo que saia já.

Segundo a BBC, vários governantes britânicos que apoiam o Brexit insistem que May não pode continuar em Downing Street e houve mesmo uma reunião do "clube da Pizza", o nome por que é conhecido o grupo de ministros que defende o Brexit. Um dos governantes disse mesmo à BBC que May chegou "ao fim da linha". De acordo com a estação britânica, o "clube" esteve reunido enquanto Theresa May respondia a perguntas sobre o seu plano na Câmara dos Comuns. Um "mau presságio" para a atual primeira-ministra, considerou a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg.

Ao final da tarde desta quarta-feira, Andrea Leadsom, a líder conservadora da Câmara dos Comuns, apresentou a demissão, dizendo que não pode apoiar o acordo de Theresa May. "Já não acredito que a nossa abordagem vai cumprir com os resultados do referendo", escreveu na carta de resignação, que partilhou no Twitter.

Ministra dos Assuntos Parlamentars, eurocética e pró-‘Brexit’, Leadsom foi a finalista vencida das eleições para a liderança do partido Conservador, em 2016, acabando por retirar-se a favor de Theresa May.

Um dos pontos que mais polémica está a causar relaciona-se com a possibilidade de um novo referendo ao Brexit, que é admitida na proposta que Theresa May apresentou ontem, terça-feira, no parlamento britânico. A primeira-ministra deixa, no entanto, ao critério dos deputados a convocação ou não de um segundo referendo, dizendo que está apenas a acautelar diferentes sensibilidades. 

O Partido Trabalhista também veio criticar a proposta de Theresa May - que, apesar das críticas, teve o apoio do governo. O líder do partido, Jeremy Corbyn, diz que o novo e "arrojado" acordo de saída da UE de Theresa May não passa de uma mesma versão do anterior, com nova embalagem. "Nenhum deputado do Partido Trabalhista pode votar num acordo baseando-se na promessa de uma primeira-ministra que tem apenas mais alguns dias no cargo". Corbyn referiu ainda que a questão do Brexit tem "divido a sociedade e envenenado a democracia", mas alega que o acordo de May não representa um "compromisso genuíno"

Já esta quarta-feira, May reafirmou o disposto no acordo, ressalvando que é contra um segundo referendo. A atual primeira-ministra acrescentou ainda que se a sua proposta de acordo for aprovada, será publicada já na sexta-feira, no dia a seguir às eleições europeias no Reino Unido - que se realizam já amanhã, quinta-feira - o que permitiria ao país sair da UE a 31 de julho, sem esperar pelo fim do prazo concedido por Bruxelas, que admitiu um adiamento ao Brexit até 31 de outubro.