A ministra da agricultura da China confirmou, na quarta-feira, um surto da gripe das aves (H5N8) num bando de pássaros selvagens de um parque pantanoso da cidade de Naggu, no Tibete.

O surto infetou e matou 268 pássaros do bando, indicou o governo chinês.

E este vírus já está a preocupar a comunidade científica: a revista Science publicou, esta sexta-feira, um artigo sobre "os vírus emergentes da gripe aviária H5N8", considerando-os "uma preocupação de saúde pública".

Os surtos deste vírus têm sido reportados há vários meses em muitos países na Europa Ásia e África e já levaram ao abate de milhões de aves.

As regiões geográficas afectadas têm vindo a expandir-se continuamente, e pelo menos 46 países comunicaram surtos do AIV H5N8 altamente patogénicos”, resumem os investigadores. 

Para adensar o problema, os cientistas alertam para a possível transmissão do H5N8 para os seres humanos:

A rápida propagação global deste vírus da gripe aviária altamente patogénico e a sua capacidade demonstrada de atravessar a barreira das espécies, transmitindo-se para os seres humanos, torna-o uma grande preocupação não só para a agricultura e segurança da vida selvagem, mas também para a saúde pública global.” 

Em dezembro de 2020 terão ocorrido os primeiros casos de humanos infetados pelo vírus da gripe aviária: sete trabalhadores de um aviário na Rússia que terão estado em contacto com o vírus testaram positivo para o H5N8.

Os cientistas acrescentam que a análise filogenética revelou que o vírus H5N8 sequenciado dos casos humanos pertencia ao mesmo grupo do detetado nas aves. A notícia só veio a público em fevereiro, quando se soube que a Rússia tinha reportado o caso à OMS.

No mesmo mês de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou a situação e concluiu que o risco de transmissão entre humanos era baixo. Porém, há agora cientistas que consideram que se trata de um problema grave e que tem sido ignorado porque a actual pandemia desviou todas as atenções para a covid-19.

Rafaela Laja