O Supremo Tribunal da Índia emitiu uma decisão para fazer face à quebra de oxigénio nos vários hospitais da capital do país, Nova Deli. Acatando a decisão, o governo anunciou que ia providenciar mais oxigénio, o que deverá colocar um fim a duas semanas de falha, que coincidiram com a pior fase da pandemia na região.

No mesmo anúncio, o governo indiano garantiu que não fez nada para atrasar ou adiar a distribuição de mantimentos que foram disponibilizados por outros países.

Agora, Nova Deli passa a ter uma capacidade de 730 toneladas de oxigénio por dia, quando antes era de 490. A intervenção do tribunal surge depois de 12 pacientes terem morrido no Hospital Batra, depois de a unidade ter ficado 80 minutos sem oxigénio.

Já esta quarta-feira, outros 11 doentes morreram na sequência de uma sobrecarga no abastecimento de oxigénio no sul da Índia, o que mostra que este é um problema que começa a chegar a todo o país.

A Índia confirmou esta quinta-feira mais de 400 mil casos em 24 horas, no segundo dia com números dessa grandeza, sendo que há vários dias vem quebrando o recorde mundial de casos diários.

Agora, em mais de 21 milhões de casos confirmados, a Índia regista um total de mortes superior a 230 mil, das quais quase quatro mil se registaram nas últimas 24 horas.

O fortíssimo aumento dos contágios está a levar ao esgotamento dos diferentes recursos de saúde. O problema é ainda maior porque a maioria dos hospitais indianos não tem sistemas próprios de oxigénio, o que faz com que as unidades fiquem dependentes de oxigénio líquido para o abastecimento.

Isso leva a uma elevada procura dos cilindros de oxigénio, que também escasseiam em todo o país, nomeadamente na capital.

O ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, disse que o oxigénio existente no país é suficiente, alegando que o problema está no transporte. A maioria das botijas é produzida na zona este, bastante longe de onde o bem é mais escasso por estes dias, como é o caso de Nova Deli, que fica no noroeste do país.

António Guimarães