Sobe a contestação depois da reeleição de Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia que está no cargo desde 1994. Desta vez, as ruas da capital Minsk encheram-se com cerca de 200 mil pessoas e com um pedido unânime: "Demite-te".

Um dos símbolos utilizados pelos manifestantes do protesto organizado pela oposição foi a bandeira branca com uma lista vermelha, que marca a saída do país da antiga União Soviética, em 1991, mas que Lukashenko se prontificou a abolir quatro anos depois, voltando a uma bandeira semelhante à utilizada durante o domínio soviético.

Todos queremos que Lukashenko saia. Por agora estamos a pedir, mas ficar ficar cansados de pedir", disse um dos manifestantes, em declarações à agência Reuters.

Do oriente chega uma mão amiga, e Vladimir Putin já se prontificou a enviar ajuda militar, caso seja necessário. Com efeito, ambos os regimes emitiram comunicados em que afirmam ter chegado a um consenso para o alcance da estabilidade política na Bielorrússia.

Uma das razões é a importância estratégica do país na dinâmica russa, que encontra naquela geografia uma porta de negociação com a União Europeia e uma base militar das Nações Unidas.

O presidente Lukashenko referiu que tinham sido destacados tanques e aviões das Nações Unidas para perto da fronteira ocidental, mas a organização negou quaisquer movimentos militares na zona, ainda que afirme estar a monitorizar a situação.

Tropas da ONU estão nos nossos portões. Lituânia, Letónia, Polónia e Ucrânia estão a ordernar-nos que realizemos novas eleições", afirmou Lukashenko, acrescentando que o país "morreria como estado" nesse cenário.

Entretanto, e naquilo que parece ser uma aproximação sem precedentes, Lukashenko afirma que as tropas russas estão prontas a intervir assim que forem chamadas. Também este domingo, o presidente bielorrusso anunciou a libertação de vários mercenários russos que estavam a ser julgados pela preparação de atos terroristas.

Os protestos que decorrem sem parar desde 10 de agosto já provocaram a morte a duas pessoas e levaram à detenção de milhares de manifestantes.

A oposição afirma que o resultado das eleições foi manipulado, mas Lukashenko nega, e remete para os resultados oficiais, que referem que 80% dos votos foram para o atual presidente.

António Guimarães