Rui Rio confirmou, esta segunda-feira, que se recandidata à liderança do PSD, afirmando mesmo que a sua "não recandidatura poderia levar à fragmentação do partido". 

"Se optar pela via mais fácil e mais cómoda, e que melhor serve o meu interesse pessoal, o partido poderá fragmentar-se. Compete-me colocar o interesse público acima de tudo mais e manter a minha disponibilidade para continuar a servir o PSD e Portugal. O que está em jogo é demasiado importante para que a minha decisão possa ser outra. Estou pois disponível para disputar as próximas eleições internas, liderar a oposição ao Governo do Partido Socialista e conduzir o PSD nas próximas eleições autárquicas".

O presidente do PSD, que se disse disponível também "para lutar contras todas as adversidades inerentes ao exercício do cargo de líder da oposição", mas não para voltar a enfrentar "deslealdades e permanentes boicotes internos", anunciou ainda que vai assumir a liderança da bancada parlamentar.

“No que concerne à liderança da bancada do PSD, deverá estar em consonância com o presidente do partido entretanto eleito. Nunca farei aos outros o que me fizeram a mim e por isso irei assumir eu próprio a liderança da bancada, de modo a que o novo líder parlamentar seja apenas escolhido em definitivo após a realização do próximo Congresso Nacional", revelou.

Segundo Rui Rio, esta é uma situação de exceção ditada pela proximidade desse mesmo congresso, após o qual marcará a sua participação na Assembleia da República, "fundamentalmente nos grandes debates nacionais".

"Se é certo que em situações pontuais de particular relevância, o líder da oposição poderá aproveitar o plenário da Assembleia para marcar de forma mais clara a sua posição, também não é menos certo que não é a ele que compete alimentar o quotidiano parlamentar", acrescentou.

Antes do anúncio formal, Rui Rio criticou as candidaturas de Miguel Pinto Luz e Luís Montenegro, acusando-os de "vaidade pessoal".

Desde 6 de outubro que o presidente do PSD não tinha qualquer intervenção pública e, mesmo nas reuniões partidárias, não anunciou se pretendia ou não recandidatar-se ao cargo nas diretas previstas para janeiro.

Na reunião da Comissão Política Nacional, que se realizou na passada quarta-feira, o secretário-geral do PSD, José Silvano, transmitiu aos jornalistas que presidente do partido recebeu o incentivo “praticamente unânime” dos dirigentes presentes para se recandidatar à liderança do partido, mas Rui Rio nada adiantou sobre esta matéria.

Nas legislativas de 6 de outubro, o PSD obteve 27,7% dos votos (correspondentes a 79 deputados), contra 36,3% do PS (108 deputados)..

A 9 de outubro, três dias depois das eleições, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro anunciou que será candidato à presidência do PSD nas próximas diretas, e, na sexta-feira, foi a vez de Miguel Pinto Luz, antigo líder da distrital de Lisboa, anunciar que vai estar também na corrida.

Conselho Nacional realiza-se em Bragança

O Conselho Nacional do PSD vai reunir-se a 8 de novembro num hotel em Bragança, confirmou à Lusa o secretário-geral do partido, José Silvano.

Na quarta-feira, no final da reunião da Comissão Política Nacional (CPN) do PSD, José Silvano já tinha adiantado que o órgão máximo do partido entre Congressos iria reunir-se na última semana de outubro ou no início de novembro, com vista à marcação das eleições diretas e do Congresso.

Uma vez que a 1 de novembro se assinala o feriado de Todos os Santos, numa sexta-feira, originando um fim de semana prolongado, a direção entendeu marcar o Conselho Nacional para a sexta-feira seguinte, dia 8, num hotel em Bragança.

Numa publicação na rede social Twitter, na quinta-feira, o presidente do PSD, Rui Rio, justificou a escolha do local da reunião: "Nas recentes eleições, o melhor resultado do PSD foi no distrito de Bragança. Seria justo realizar lá o nosso Congresso. Como não há instalações para acolher uma reunião de tal dimensão, o mínimo que podemos fazer é realizar em Bragança o próximo Conselho Nacional".

Uma vez que o próximo Conselho Nacional do PSD se irá realizar na próxima legislatura, já não terão assento na reunião de Bragança - nem sequer como observadores - deputados que têm sido críticos de Rio, casos de Hugo Soares, Miguel Morgado, Maria Luís Albuquerque, Carlos Abreu Amorim, Teresa Morais ou Paula Teixeira da Cruz.