Pela primeira vez desde que há registo, o Mar de Laptev ainda não congelou no final de outubro. Mais uma prova de que o impacto humano, pelo aquecimento global, está a provocar mudanças sem precedentes, com o potencial para mudarem o mundo tal como o conhecemos.

A falta de congelação até este ponto do outono não tem precedentes na região siberiana do Ártico", disse ao Guardian Zachary Labe, investigador da Universidade do Colorado. 

2020 é outro ano consistente com mudanças rápidas no Ártico. Sem uma redução sistemática dos gases com efeito de estufa, a possibilidade do nosso primeiro verão sem gelo vai continuar a aumentar até meados do século XXI", frisou Labe.

Segundo Walt Meier, investigador do US National Snow and Ice Data Center, os dados e modelos mais recentes apontam para que o primeiro verão sem gelo no Ártico ocorra entre 2030 e 2050. "É uma questão de quando e não se", frisa o especialista.

A falta de congelação da água do Mar de Laptev pode ser explicada pela onda de calor que este ano atingiu a Sibéria. Um estudo recente atribui as altas temperaturas para a região ao calor das emissões de gases provenientes da indústria e agricultura. 

Mas, segundo o Guardian, não é apenas a temperatura do ar que está a atrasar a formação de gelo: as alterações climáticas estão também a favorecer que as correntes mais temperadas do Atlântico chegem ao Ártico e interfiram com a superfície mais fria das águas, dificultando a congelação. 

O Mar de Laptev é conhecido como o local de nascimento do gelo, que se forma ao longo da costa durante o inverno e depois desliza para oeste, arrastando nutrientes pelo Ártico antes de derreter na primavera no Estreito de Fram, entre a Gronelândia e o arquipélago norueguês de Svalbard.

Quanto mais tarde o gelo se formar no Mar de Laptev, mais fino será, logo, deverá derreter antes de chegar ao Estreito de Fram. Isto significa menos nutrientes para o plâncton do Ártico, que terá assim menor capacidade para atrair dióxido de carbono da Atmosfera.  E contribuirá para um degelo cada vez mais rápido das calotas polares.

Bárbara Cruz