Pedro Monteiro, CEO da Morphis Composites, e a sua equipa desenvolveram dois protótipos de ventiladores especialmente pensados para serem implementados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas acabaram por ter de mudar o ângulo do projeto, exportando a ideia.

Inicialmente, estes equipamentos tinham como objetivo serem doados aos hospitais portugueses, mas surgiram contingências que obrigaram a traçar outros planos. “A nossa ideia inicial era essa e foi para isso que trabalhámos, mas em Portugal algumas iniciativas são mais apoiadas que outras, a nossa claramente não foi” explica o coordenador do projeto, Pedro Monteiro.

O investimento da iniciativa tem sido inteiramente da equipa e esse é um dos motivos que atrasaram o projeto. Apesar de terem um financiamento prometido, graças a um concurso promovido pelo banco Santander e pelo Instituto de Engenharia de Lisboa, Pedro Monteiro garante que continuam à espera. O valor desse financiamento, mesmo sendo baixo, teria contribuído para a equipa avançar mais depressa, segundo o coordenador do projeto.

Atualmente, já estão na terceira geração do ventilador Open Source, e acreditam estar reunidas todas as características necessárias para fazer face a esta doença, preservando a qualidade e o conforto do paciente.

A produção destes ventiladores é extremamente simples, pois desde início que está pensado para ser facilmente montado. A equipa defende que a limitação não está na velocidade, mas nos fundos que se conseguem obter. Ainda assim, há outro obstáculo na corrida à distribuição destes equipamentos.

 Quero acreditar que há alguma falta de competência dos organismos para estar á altura deste desafio. Nunca se teve de certificar um ventilador em Portugal, nós não temos entidades certificadoras no nosso país. Não estávamos minimamente preparados para isto

Com as dificuldades em investir e em proceder à certificação, em Portugal, a equipa percebeu que tinha de dinamizar os seus esforços para fora do país.

Se achamos que ter por volta de 1200 ventiladores em Portugal é assustador, segundo as informações da OMS, o continente africano tem menos de 2000 ventiladores. A situação em África é muito pior

Perante estes números, surgiu a vontade de trabalhar numa solução para os países em desenvolvimento. O objetivo agora é baixar o valor do ventilador para que os países com pouca capacidade financeira possam adquirir estes equipamentos essenciais à vida.

O nosso target será entre os 2000 e os 2500 euros, por unidade, sendo que vamos manter todas as características necessárias e que estamos a trabalhar com material certificado para utilização médica

Além do baixo custo, a equipa quer investir num ventilador mais inteligente e que cause efeitos menos nefastos ao paciente, enquanto está a ser ventilado. A razão pela qual não industrializaram as primeiras versões foi, precisamente, porque careciam de pequenas correções que impediam a viabilidade do equipamento.

Nós sabemos que o efeito dos ventiladores nos pulmões provoca lesões. Temos controlos muito elevados, precisamente, para garantir que os danos do paciente sejam exclusivamente da doença e não do tratamento. Pelos estudos a que temos tido acesso e pelo tratamento em si, sabemos que não é possível, mas queremos ter o maior respeito  pelo paciente

 O valor destes ventiladores vai ser o primeiro aspeto que os vai distinguir dos outros já existentes, seguido da parte técnica inovadora já referida.

Como a equipa não quer que este projeto se deixe ficar pela terceira versão, já está a ser planeada uma quarta geração totalmente dedicada aos países sem hospitais e aos campos de refugiados.

Para já, a equipa espera que o nosso país se torne mais flexível no que respeita à produção e certificação de ventiladores.

 O nosso objetivo primordial é salvar vidas e é esse o mote que nos juntou a todos. Se não for aqui, é noutro país qualquer porque uma vida tem o mesmo valor em qualquer lugar do mundo. No final, se ninguém quiser aproveitar o nosso trabalho, fica a aprendizagem