O cartoonista Lars Vilks, que ficou mundialmente famoso em 2007 por ter caricaturado a cabeça do profeta Maomé presa a um corpo de cão, morreu este domingo após uma colisão automóvel na cidade de Markaryd, no domingo.

Vilks, de 75 anos, estava a viver sob proteção policial desde o dia em que os seus desenhos foram publicados e estava a viajar num carro policial quando este colidiu com uma carrinha. Os dois agentes que levavam o automóvel também morreram.

“Este foi um incidente muito trágico. É muito importante para todos que possamos fazer toda a investigação sobre o que realmente aconteceu nesta colisão”, disse um representante da polícia esta segunda-feira. “Inicialmente, nada aponta para que haja mais pessoas envolvidas”.

Em 2015, a influência de Vilks foi uma parte central do ataque terrorista na cidade de Copenhaga. O caricaturista foi o orador principal num evento sobre liberdade de expressão dentro de um café onde um atirador islâmico abriu fogo, resultando na morte de um diretor de cinema e no ferimento de três agentes policiais. Um ataque que ocorreu antes de o terrorista se dirigir a uma sinagoga e matar um voluntário. 

Numa primeira reação, o chefe da polícia nacional, Anders Thornberg, disse: “Foi com consternação e grande tristeza que recebi a notícia de que dois colegas e a pessoa que queríamos proteger morreram esta tarde. Os meus pensamentos estão com os familiares, amigos e colegas de trabalho”.

Uma das caricaturas polémicas de Lars Vilks

 

Stefan Sintéus, chefe da unidade de investigação regional responsável pela proteção pessoal na região disse que este é um acontecimento extremamente trágico. 

Agora é importante para todos nós fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para descobrir o que aconteceu no local e o que causou a colisão”, afirmou.

Vilks era praticamente desconhecido fora da Suécia antes da polémica caricatura. Em casa, era mais conhecido por construir uma escultura feita de madeira flutuante dentro de uma reserva natural no sul da Suécia sem permissão, desencadeando uma longa batalha legal.

Acabou multado, mas a escultura à beira-mar - um amontoado de madeira pregada de maneira caótica - atrai dezenas de milhares de visitantes todos os anos.

Em setembro de 2007, Vilks teve uma recompensa de cerca de 80 mil euros colocada em seu nome por uma fação da Al Qaeda, no Iraque, em resposta a seus desenhos.