Foi divulgado esta semana o relatório da Comissão Europeia, que conclui que Portugal está 30% abaixo do investimento na saúde em relação à média da União Europeia.

Para debater este tema estiveram presentes na 21ª Hora, Constantino Sakellarides, professor catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública, José Aranda da Silva , presidente da Fundação Para a Saúde e Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Segundo o professor catedrático Constantino Sakellarides, Portugal tem uma "saúde muito complexa que não pode ser governada da mesma forma como era governada há 40 anos atras". De acordo com o professor, o país precisa de um modelo de governação diferente, que vem também com uma administração pública moderna. Não podemos meter dinheiro num sistema que não funciona", acrescentou.

Vai haver boas noticias, mas ninguém vai ficar satisfeito porque as necessidades são muitas“, revelou o professor.

 


Partilhando inicialmente a mesma opinião de Constantino Sakellarides, José Aranda da Silva, o presidente da Fundação Para a Saúde, acrescenta que "não podemos esquecer que também houve problemas graves com a questão do financiamento” que, na sua opinião, “não é o problema mais importante”, corroborando com a posição do professor sobre a governação.

A verdade é que muitas das situações que estamos a viver formam implementadas nos últimos dez anos” , disse o José Aranda da Silva, em alusão ao período da Troika.

 "O corte de 30% nas despesas da saúde teve consequências enormes e que ainda não foram recuperadas", acrescentou, mencionando também que "muitas das medidas que tomamos hoje vão ter reflexos daqui a 6 ou 7 anos”. Vai haver necessidade de mudança, mas com uma visão estratégica a longo prazo".

Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada conclui que, sobre o relatório desta quinta-feira, que os desafios que levanta é a gestão da doença crónica e a questão do financiamento.

O investimento no SNS é uma necessidade absoluta", alertou.

Para além do investimento, salientou que a devolução de autonomia aos hospitais é fundamental: "Não é razoável que a ministra vá ao parlamento e seja questionada em relação à falta de um médico no hospital"

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada diz ainda que o “perfil do sistema de saúde em Portugal é perfil porque só aparece um lado do setor da saúde, que é a parte estatal, nada sobre o privado".

/ RL