A perda de olfacto, conhecida por anosmia, é já um sintoma bem conhecido da covid-19, normalmente acompanhada pela perda de paladar. Mas um dos médicos do Reino Unido que inicialmente reportou este sintoma do vírus em março passado, um otorrinolaringologista, veio agora alertar para outro sintoma prevalente sobretudo em jovens e profissionais de saúde que têm covid-19 prolongada ou persistente: a parosmia, ou seja, uma disfunção associada à deteção de cheiros com grande impacto na qualidade de vida dos doentes.

À Sky News, Nirmal Kumar explicou que se trata de um sintoma "muito estranho e muito particular", em que os cheiros são distorcidos e, na maioria, de forma desagradável: alguns dos odores que sentem os doentes covid são, por exemplo, a peixe, a enxofre, a queimado ou um cheiro doce e enjoativo. 

Este vírus tem uma afinidade com os nervos da cabeça e, em particular, o nervo que controla o sentido do odor. Mas provavelmente afeta outros nervos e, julgamos nós, os neurotransmissores, mecanismos que enviam mensagens para o cérebro", explicou o especialista.

Algumas pessoas reportam alucinações, perturbações no sono e alterações na audição", acrecentou Kumar. 

As associações britânicas para pacientes com perturbações do olfacto recomendam que os doentes com covid-19 que sentem estas alterações façam terapia e "treino do cheiro", que implica cheirar rosa, limão ou óleos de eucalipto todos os dias durante cerca de 20 segundos, numa tentativa de recuperarem o olfacto. 

Nirmal Kumar está otimista e garante que as informações preliminares dão conta de que este tipo de treino ajuda os doentes e que, eventualmente, estes acabam por recuperar o olfacto sem qualquer alteração. 

Bárbara Cruz