As emoções de Jaime Pacheco dominaram a conferência de imprensa do final do jogo em que o Boavista passou a ser o líder do campeonato. Visivelmente satisfeito, o treinador axadrezado deixou passar para o exterior quase tudo aquilo que pensava, não deixando de refrear os ânimos quando se falou na possibilidade de ser campeão. 

Uma dos símbolos que já começar a ser associado à sua imagem é a barba (bigode e pêra, mais concretamente). Pacheco já disse que não irá cortar esses pelos da cara enquanto não perder, mas especifica: «Ter pêra e bigode não tem importância nenhuma. É apenas um bom sinal, pois agora também surgiu a liderança. Espero manter esta imagem enquanto for possível». 

Ainda no campo das sensações, explicou o que sente como treinador do primeiro classificado. No momento em que o árbitro apitou pela primeira vez diz ter pensado «em muitas coisas». «Lembramo-nos da família e dos amigos, que nos apoiam e ajudam a ultrapassar os momentos mais difíceis», confessa, sem esquecer o feito de igualar o máximo de Pedroto, que na década de 70 também fez com que o Boavista dobrasse a primeira volta à frente do campeonato. «Sinto-me muito feliz por estar a repetir um feito importante, porque fui sempre um seguidor do Sr. Pedroto. Ensinou-me muita coisa que ainda aplico no dia-a-dia, tanto na vida privada como profissional», realçou emocionado. 

Regressando ao jogo e às suas incidências, foi taxativo: «Ganhámos bem. Podíamos ter feito mais um ou outro golo e o F.C. Porto só criou perigo em desatenções da nossa defesa. Sabíamos que a vitória era importante e conseguimo-la». 

Para Pacheco «a equipa está cada vez mais madura e sabe lidar com as responsabilidades», mas advoga que para além do Boavista «existem três adversários muito mais fortes em termos de estatuto» e também «equipas como o Braga, que pode intrometer-se nas lutas». O treinador descarta a possibilidade de ser campeão, preferindo definir a obtenção de um lugar europeu como meta. «Temos de procurar rapidamente o nosso lugar na Europa e depois vê-se. É necessário continuarmos a ser humildes e manter o nosso discurso», prosseguiu num regresso à atitude que tem procurado manter ao longo do campeonato. 

Mesmo quando lhe é questionado se considera que o Boavista é a equipa mais forte, o técnico resguarda-se e desvia a resposta: «A equipa que ganha, habitualmente e a melhor, mas apenas digo que somos uma das melhores. Entramos em todos os jogos para ganhar e esse será sempre o nosso estado de espírito». É claro que ser campeão cabe nos desejos de Pacheco, que também pretende «vencer o totoloto», e isso até poderá acontecer em pleno Estádio das Antas, onde viveu os momentos mais altos da sua carreira. É que a última jornada realiza-se precisamente na casa do rival F.C. Porto. 

«Tivemos uma série de contrariedades» (Fernando Santos) 

Numa casa eufórica, o técnico do F.C. Porto sentiu o lado amargo do jogo. Quando ainda percorria o relvado para se dirigir até à sala de imprensa, Fernando Santos foi alvo das críticas dos adeptos do seu clube, que mostraram o desagrado pela derrota na casa do principal rival. 

Parco em palavras, começou por avisar que a sua equipa teve «muitas contrariedades e passou a enumerar as lesões de Drulovic e Pena ainda antes do encontro, a súbita síndrome gripal de Nélson a poucos instantes dos portistas se dirigirem para o Estádio do Bessa, as mazelas de Chainho e Jorge Costa já durante o desafio e, finalmente, a expulsão de Deco. 

Na análise às incidências do jogo, considerou que «a primeira parte foi equilibrada e essencialmente táctica, com uma boa oportunidade de golo para o Cândido». O tento adversário surgiu numa «desatenção» da defesa, mas depois do intervalo os portistas chegaram «a ter a ideia» de que o jogo iria pender para o seu lado. «Só que o Boavista jogou sempre muito bem, unido e mantendo o sentido colectivo». 

Sobre a perda da liderança não se mostrou muito preocupado. «Faltam 17 jogos e há um longo caminho a percorrer. Agora temos de começar a pensar já no jogo da Taça, que se realiza na próxima quarta-feira», concluiu.