Abastecer o carro fica mais barato nas bombas dos hipermercados e num posto da Galp, em Setúbal, que pratica preços mais baixos. A petrolífera também anunciou recentemente que o litro do gasóleo e a gasolina fica seis cêntimos abaixo do praticado ao terceiro domingo de cada mês nos seus postos de combustível. Mas um grupo de deputados socialistas defende que devia haver combustíveis low cost em todo o lado e, por isso, querem ouvir o que a Autoridade da Concorrência tem a dizer.

São várias as perguntas que o deputado Jorge Seguro Sanches, Mota Andrade, Duarte Cordeiro e Jorge Strecht, entre outros, querem ver respondidas: «Se há alguma limitação legal ou contratual para que esse tipo de combustível [low cost ou não aditivado] não seja comercializado por todo o país e em todos os postos»; e, entre outras questões, quais os efeitos que os combustíveis low cost têm tido no mercado e se a entidade reguladora pondera propor a correcção do mercado «no sentido de uma maior e mais económica oferta diversificada de combustíveis e que aumente a escolha dos consumidores». É o que consta no documento a que o jornal «Público» teve acesso.

«A Anarec denunciou no Parlamento que não conseguia ter acesso a estes combustíveis mais baratos, e que são cada vez mais procurados pelos consumidores». «Há sérias dúvidas de que o mercado esteja a funcionar de modo transparente», diz Jorge Seguro Sanches. É que, note-se, há postos de combustível onde cada litro fica 20 cêntimos mais barato em relação ao que é praticado nas grandes marcas.

Sempre a subir, o preço dos combustíveis tem suscitado inúmeras queixas - de consumidores, mas não só. O Automóvel Clube de Portugal apresentou na semana passada uma queixa contra a Autoridade da Concorrência para que seja «condenada a cumprir os seus deveres» e, em linha com a pretensão dos deputados socialistas, investigue eventuais práticas anti-concorrenciais no mercado de combustíveis. O ACP quer saber se os combustíveis low cost contêm, ou não, aditivos, qual o custo destes e correspondente impacto sobre o preço final do produto e qual é a estrutura de custos e rentabilidade de um posto low cost comparativamente a um posto regular.

Ainda na semana passada, a AdC lavou as mãos quanto à subida dos combustíveis. Embora admitindo que se trata de «um problema difícil», garantiu que «não tem nada a ver com concorrência».

Certo é que o preço do gasóleo vai voltar a subir dois cêntimos já a partir de amanhã, dia 1 de Fevereiro, um aumento provocado pela nova forma de cálculo dos biocombustíveis.

Brent nos 100 dólares. Vêm aí mais aumentos?

Ainda esta segunda-feira as cotações do Brent estavam coladas aos 100 dólares, o que deixa antever uma provável nova revisão em alta dos preços dos combustíveis.

Mas, se é verdade que as cotações do petróleo constituem uma importante fatia para o preço dos combustíveis, não chegam, por si só, para determinar a sua evolução. Os impostos, que também aumentaram, explicam parte da subida.

Só que, mesmo assim, fica por saber porque é que os preços estão hoje ao mesmo nível a que estavam quando o barril de crude custava quase 150 dólares. Isso foi em Julho de 2008, altura em que o litro de gasolina rondava os 1,50 euros. Agora o barril ainda está 50 dólares mais barato, mas o preço da gasolina mantém-se praticamente na mesma.

Segundo os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia, em Janeiro a média dos preços do gasóleo foi de 1,30 euros/litro e de gasolina fixou-se nos 1,493 euros/litro.

Sobre a procura pelo «ouro negro», os últimos dados disponíveis (de Outubro) dão conta de uma diminuição de 2,8% no primeiro caso e de 5,8% no segundo, quando comparado com o mesmo mês de 2009.

De lá para cá, os preços não têm parado de aumentar. E com o aperto fiscal imposto pelo Orçamento do Estado para este ano, não é de admirar que as pessoas optem cada vez menos por andar de carro.