A Câmara de Lisboa pretende alargar a mais laboratórios os protocolos para testes gratuitos à covid-19, disse esta quarta-feira o vice-presidente da autarquia, em resposta a críticas da oposição por causa das mudanças no programa municipal de testagem.

PS e BE criticaram hoje, numa reunião do executivo da câmara, as novas regras para aceder a testes gratuitos na cidade, em vigor desde sábado, considerando que limitam o acesso à testagem, quando antes, no limite, qualquer pessoa poderia fazer, se assim o entendesse, um rastreio todos os dias, como assinalou a vereadora socialista Inês Drummond.

Com as novas regras, o município passou a pagar rastreios nas farmácias só depois de o utente ter esgotado aqueles a que tem direito mensalmente por via do SNS (que passaram de quatro para seis) e, depois disso, apenas paga testes feitos com intervalos mínimos de três dias, tanto nas farmácias como nos centros fixos instalados pela câmara.

BE consegue aprovação de moção para repor rede de testagem

O BE apresentou mesmo uma moção, que foi aprovada por unanimidade, para que a rede de testagem na cidade que já existia se mantenha inalterada até final de janeiro de 2022, dada a evolução da pandemia, lembrando que as farmácias na cidade com protocolo com o SNS eram 59 e as que têm acordo com o município superavam as 130.

Na resposta, o vice-presidente da câmara, Filipe Anacoreta Correia (CDS), afirmou que nunca se fizeram tantos testes na cidade como em novembro e dezembro e que a rede municipal de testagem tem aumentado, com a instalação de mais centros e com o alargamento dos horários de funcionamento.

Anacoreta Correia garantiu que não há qualquer diminuição na capacidade de testagem, pelo contrário, e que a câmara está a trabalhar para a aumentar, através de protocolos com laboratórios de análises, sendo que neste momento só existe acordo com um.

Segundo afirmou, espera que haja mais laboratórios com protocolo com a câmara "rapidamente".

Câmara já gastou 13 milhões de euros em testes nas farmácias

Em relação aos testes nas farmácias, afirmou que a câmara já gastou cerca de 13 milhões de euros em testes à covid-19 e que, até esta semana, o contributo do Governo para os rastreios na cidade era quase nulo.

Como o Governo passou a comparticipar quatro testes gratuitos mensalmente nas farmácias a cada utente (que entretanto passaram a seis), "o que a câmara fez" foi decidir pagar os testes feitos a partir desse número, garantindo "que o plano de testagem permanecesse sem qualquer alteração, muito menos interrupção".

Quanto a "algum mal entendido" gerado "pontualmente, numa ou noutra farmácia", no fim de semana, garantiu que está superado e que "neste momento não há nenhuma situação de interrupção e testagem" e "qualquer pessoa tem os testes como tinha antes, gratuitos".

Anacoreta Correia acrescentou que a Câmara continua a assegurar todos os testes gratuitos feitos por não residentes em Portugal, que não têm número de utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Quanto ao intervalo de três dias entre testes, disse que foi introduzido um "critério de racionalidade e eficiência" porque os testes têm validade de 72 horas e assim, face à grande procura, um maior número de pessoas consegue testar-se.

Na reunião de hoje, o executivo camarário aprovou outra moção do BE que pede a testagem de estudantes e de pessoal docente e não docente nas escolas da cidade no arranque do segundo período escolar.

/ DCT