A carrinha encontrada em Espanha quinta-feira com explosivos alegadamente da ETA foi detectada numa operação de rotina montada pela GNR portuguesa especializada em Ambiente (SEPNA) para fiscalizar o transporte de resíduos entre Portugal e Espanha.

«A operação foi montada por nós [SEPNA] mas, como era transfronteiriça, contava com a colaboração dos nossos homólogos espanhois [SEPRONA]. E foram eles que, vendo uma carrinha abandonada no lado de lá da fronteira [Ayamonte] foram investigar e encontraram os explosivos», explicou à agência Lusa o coordenador do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), Jorge Amado.

A carrinha, com matrícula portuguesa, foi encontrada perto da fronteira portuguesa de Vila Real de Santo António (Algarve) com 115 quilos de material explosivo - 100 quilos de nitrato de amónio e 15 de pó de alumínio - e foi alugada em nome de U. Arrieta, uma identificação pode ter sido usurpada segundo fonte ligada ao processo.

O veículo está vinculado à ETA e os seus ocupantes fugiram depois de terem visto o controlo luso-espanhol, segundo o director-geral da Polícia Nacional e da Guardia Civil Espanhol, Joan Mesquida.

«Não há nenhum dúvida» de que o material pertence à ETA, afirmou aquele responsável, adiantando que a carrinha não estava armadilhada, apenas transportava explosivos ainda não preparados para um atentado.

Esta descoberta em Ayamonte, Andaluzia, ocorreu duas semanas depois de a ETA anunciar o fim do cessar fogo declarado em Março de 2006 e que já tinha sido quebrado a 30 de Dezembro de 2006 com o atentado no Aeroporto de Madrid (Barajas), que causou dois mortos.

Dada a posição geográfica de Portugal, o SEPNA tem realizado várias operações transfronteiriças com os espanhóis do Servicio de de Proteccion de la Natureza (SEPRONA) da Guarda Civil Espanhola.

Segundo o relatório de actividades do SEPNA de 2006, a que a Lusa teve acesso, esta cooperação tem também vindo a dar «bons resultados» no combate aos ilícitos ambientais transfronteiriços, nomeadamente o transporte ilegal de lixo, algum perigoso, os animais protegidos pela convenção CITES, o transporte de animais selvagens e de animais para consumo humano, produtos de engorda ilegal ou caça clandestina.