O secretário-geral do PS afirmou esta segunda-feira que a proposta do Governo de Orçamento para 2010 terá uma linha de responsabilidade nas finanças públicas e advertiu que os socialistas não estão no poder por «gentileza» da oposição.

A posição de José Sócrates foi transmitida no início do jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, intervenção em que se pronunciou sobre as quatro principais linhas da proposta do Governo do Orçamento do Estado para 2010 - documento que considerou que será alvo do «grande foco político».

Sobre as três primeiras características da proposta orçamental do executivo, Sócrates repetiu o que já tem dito: investimento público como forma de combate à crise e ao desemprego; apoio às famílias e apoio às empresas (que continuarão a ter acesso a linhas de crédito em 2010).

«Vamos conceder estes apoios com responsabilidade nas finanças públicas. Vamos fazer o esforço do Estado indo até onde podemos ir - e não podemos ir mais além do que temos feito. Vamos continuar o esforço, mas vamos continuar com responsabilidade», advertiu o líder socialista, antes de deixar recados à oposição.

«O país não pode aceitar ter um orçamento aprovado pelo Governo e outro pela Assembleia da República. Isso seria uma irresponsabilidade que o país não está em condições de suportar», frisou na sua intervenção.

O secretário-geral do PS traçou depois os limites sobre a sua concepção de diálogo.

«Estamos disponíveis para dialogar, para negociar e para construir, mas não para destruir o que foi feito», disse, antes de sustentar que o actual Governo «tem uma herança de reformas modernizadoras do país».

No seu discurso, José Sócrates fez um breve balanço do ano de 2009 para vincar que o PS ganhou duas das três eleições: as legislativas e as autárquicas.

«A voz do PS está a ser ouvida e ela vai ser ouvida no nosso país em todas as áreas do debate político», disse, elogiando depois a direcção do Grupo Parlamentar do PS, da qual destacou Francisco Assis, Sérgio Sousa Pinto e Ricardo Rodrigues.

«A governação não nos foi entregue por nenhuma gentileza por parte dos outros partidos, mas pela expressão livre dos cidadãos portugueses em eleições».

O jantar de Natal do PS contou também com a presença dos eurodeputados socialistas, com Vital Moreira e Edite Estrela a serem escolhidos para se sentarem na mesa do líder do partido e do presidente do Grupo Parlamentar, Francisco Assis.

Além destes dois eurodeputados, sentaram-se também na mesa de Sócrates e Assis o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o «vice» do Parlamentar, Vera Jardim, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, e o presidente do PS, Almeida Santos.

Na «mesa de honra», estavam ainda dirigentes do partido e da bancada socialista como José Lello, Ricardo Rodrigues, Inês Medeiros, Sérgio Sousa Pinto, Celeste Correia, e Maria de Belém.
Redação / JF