A Grécia voltará a dominar a reunião de ministros das Finanças da zona euro da próxima segunda-feira, em Bruxelas, mas desta vez num ambiente mais desanuviado, após o acordo entre Atenas e os seus credores privados.

Na sexta-feira, a Grécia evitou a bancarrota ao alcançar um acordo para a participação dos seus credores privados na maior operação de sempre de reestruturação da dívida pública, dando assim o passo que faltava para que os seus parceiros da zona euro libertem o segundo pacote de assistência financeira, também sem precedentes, na ordem dos 130 mil milhões de euros.

Após o anúncio do acordo de Atenas com os credores privados, e de uma conferência telefónica entre os ministros das Finanças do espaço monetário único no mesmo dia, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou sexta-feira que estão agora reunidas as condições para a aprovação final do segundo programa de resgate financeiro, o que deverá acontecer na segunda-feira.

Desta feita, e tendo Atenas cumprido a sua parte, as atenções do Eurogrupo viram-se neste momento para o outro lado do Atlântico, já que os 17 aguardam ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) anuncie enfim com quanto pretende contribuir para o segundo resgate à Grécia, dependendo dessa decisão o fardo que os Estados-membros do espaço monetário único terão de repartir entre si.

A direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) vai propor aos Estados-membros que a instituição acorde um novo empréstimo, de 28.000 milhões de euros, à Grécia, anunciou na sexta-feira à noite a diretora-geral da instituição, Christine Lagarde.

Este montante, que tem ainda de ser discutido numa reunião do conselho de administração agendada para quinta-feira, é superior ao referido até agora, de 23.000 milhões de euros.

«Consultei hoje [sexta-feira] o conselho de administração do FMI e, assim que negoceie com o governo grego, pretendo recomendar o acordo de 28.000 milhões de euros», afirmou Lagarde, em comunicado.

O Fundo pretende substituir o empréstimo acordado em maio de 2010, de 30.000 milhões de euros, dos quais cerca de 10.000 milhões estão ainda por desembolsar. A quantia que falta atribuir será integrada no novo empréstimo.

O novo empréstimo deverá ser uma linha de crédito, um tipo de empréstimo destinado aos países em dificuldades por um período de tempo prolongado.

Na reunião de segunda-feira em Bruxelas participará o ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, que marcará também presença na reunião alargada a 27 na terça-feira (Ecofin), na qual haverá lugar a um debate público sobre a proposta de passar a taxar as transações financeiras, um imposto que segundo os cálculos de Bruxelas poderia render à União um montante na ordem dos 60 mil milhões de euros anuais.