Segundo jogo do Mundial, primeiro final dramático. Aos 90 minutos José María Giménez subiu mais alto do que a pirâmide egípcia – qual muro durante a segunda parte – e fez um golo de uma festa que ecoou desde Ecaterimburgo até Montevideu e daí por toda a nação «charrúa».

«No Salah, no party.» Sabem disso os adeptos do Liverpool e sentem-no mais do que ninguém os adeptos do Egito. Lesionado na final da Liga dos Campeões, o faraó, estrela-maior da seleção de Héctor Cúper, regressou aos treinos nesta semana, mas não estava a 100 por cento para ir a jogo.

Essa foi a primeira nota dominante de um jogo em que, surpreendentemente, sem a sua maior estrela o Egito equilibrou durante os primeiros 45 minutos.

Elneny era a referência no meio-campo, Trezeguet esticava o jogo sobre a esquerda… Mas faltava qualidade no resto da seleção egípcia, que atuou de início com Marwan, ex-Gil Vicente, e Amr Warda, que nesta época teve uma fugaz experiência no Feirense – demasiado curtos para um Mundial.

O Uruguai só passou a dominar efetivamente o jogo a partir do momento em que Óscar Tabárez fez entrar para a meia-hora final Carlos Sánchez e Cristian Rodríguez. Lá na frente, não funcionava na perfeição a sociedade do golo composta por Cavani e Suárez, que juntos levam 92 com a camisola celeste.

EGITO-URUGUAI, 0-1: FICHA E FILME DO JOGO

Esteve particularmente perdulário o avançado do Barça, que desperdiçou quase uma mão cheia de oportunidades de golo. Exemplos flagrantes: solto na pequena área, atirou à malha lateral, aos 24’, na frente do guarda-redes tentou contorná-lo, sem sucesso, aos 74’… Suárez ameaçava, mas não mordia. E tinha pela frente El Shenawy, que fez uma exibição monstruosa tapando todos os caminhos da baliza até ao limite – não por acaso, foi considerado pela FIFA como o homem do jogo.

Já Cavani, bem mais exuberante, servia o companheiro na perfeição e visava o muro piramidal dos norte-africanos à bomba. Aos 83’ disparou para a defesa do guardião egípcio, cinco minutos depois cobrou um livre colocadíssimo ao poste. Cavani estava azarado, Suárez estava desinspirado… Sobrava quem?

A ajuda viria da retaguarda. Quando surgiu Giménez com toda a artilharia pesada a usar a cabeça derrubar a resistência egípcia perante a desolação de Salah, que via o jogo do banco.

O Uruguai iguala pontualmente a Rússia no comando do grupo A e entra finalmente a vencer num Mundial… 48 anos depois – desde o triunfo sobre Israel por 2-0 no Mundial de 1970 que os charrúas não venciam na estreia.

O registo negativo da seleção celeste caiu esta tarde, com o derrube da pirâmide. O que as bombas de Cavani não conseguiram, logrou Giménez. Às vezes, é preciso usar a cabeça.

Sérgio Pires