A bola ainda não começou a rolar, mas Guimarães já está em modo Liga das Nações. A Cidade Berço foi «tomada de assalto» pela UEFA, passe a expressão, e é impossível ficar indiferente à azáfama que tomou conta das redondezas do Estádio D. Afonso Henriques, facilmente extensível ao resto da cidade em virtude da dimensão reduzida da malha urbana vimaranense.

As implicações são notórias nos mais ínfimos pormenores, na questão do trânsito e até na própria imagem da cidade. As cores da UEFA e dos países presentes na final da primeira edição da Liga estão por todo lado, quer na sinalética implementada pela organização do evento quer pelos próprios estabelecimentos comerciais, que também eles entraram no espírito da Liga das Nações.

Arranjar dormida na Cidade Berço é, por estes dias, uma tarefa hercúlea. As unidades hoteleiras estão no máximo da capacidade, ainda que na véspera do encontro Holanda-Inglaterra ainda não seja notória a presença de um número assinalável de adeptos afetos a estes dois países.

São esperados quinze mil ingleses e cinco mil holandeses com bilhete, um número que pode aumentar tendo em conta os adeptos que se estimam que se vão deslocar para Portugal sem bilhete.

Horários alargados mas sem esplanadas

Em redor do estádio D. Afonso Henriques e no próprio Centro Histórico a Liga das Nações é vista como uma oportunidade de negócio. Cafés e outros estabelecimentos de restauração adaptam-se a estes dias diferenciados.

Os horários, em alguns casos, foram alargados mas, por outro lado, há mudanças impostas a ter em conta. As esplanadas estão proibidas a partir das 16horas desta quarta-feira com o objetivo de que o mobiliário urbano não se torne em armas de arremesso. O próprio transporte e cargas e descargas de bens alimentares nos bares e restaurantes tem de ser efetuado em horários específicos, conforme informa a Câmara Municipal de Guimarães.

Ao todo, estão envolvidos cerca de nove mil elementos das forças policiais na organização da Liga das Nações, numa operação que há muito está a ser preparada. «A operação está a ser preparada há vários meses e está alicerçada na grande experiência da PSP na segurança de grandes eventos», referiu o intendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) Alexandre Coimbra, em conferência de imprensa.

Para os adeptos holandeses e ingleses estão montadas «fan zones» e «meeting points» em zonas distintas da cidade, com ecrãs gigantes instalados no Parque da Cidade para holandeses e no Pavilhão Multiusos para adeptos ingleses. Há comboios especiais para o Porto para transportar os adeptos que não estão alojados em Guimarães.

D. Afonso Henriques: um novo estádio no mesmo sítio

Palco do jogo entre as seleções da Holanda e de Inglaterra, e posteriormente palco da definição do terceiro e quarto classificado, o Estádio D. Afonso Henriques não sofreu uma profunda remodelação para estes embates, mas à vista desarmada nem parece o mesmo recinto desportivo.

Tudo que é logística foi alvo de intervenção por parte da UEFA, como é habitual acontecer nas grandes competições internacionais. Os torniquetes de acesso às bancadas foram trocados, foram instalados dois novos ecrãs (já testados pelo V. Guimarães no último jogo da Liga) e a nível logístico as alterações são mais do que muitas.

Desde a imagem renovada, de acordo com os padrões da UEFA, passando pela criação de novos lugares para jornalistas e operadores de câmara, nada foi deixado ao acaso. Parece um novo estádio no mesmo sítio; o tapete verde parece ter um verde ainda mais carregado e as bancadas têm mais cor.

No exterior foram colocados novos acessos e a nível de zonas de hospitalidade o recinto do V. Guimarães sofreu uma reformulação profunda para se adaptar às exigências deste tipo de competições. A bola, essa, rola às 19h45 desta quinta-feira com o Holanda-Inglaterra. No domingo define-se o terceiro e quarto classificado.

Bruno José Ferreira / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães