Cerca de 800 migrantes, entre os milhares que ficaram desabrigados após o incêndio no campo de Moria, foram instalados no centro temporário erguido de urgência pelas autoridades gregas na ilha de Lesbos, informou o Ministério das Migrações grego.

Entre estes, 21 tiveram teste positivo para o novo coronavírus, de acordo com os dados fornecidos pelo Ministério à agência de notícias AFP na noite de segunda-feira.

Entre a noite de 8 e o dia de 9 de setembro, o campo de migrantes de Moria, o maior da Europa, inaugurado há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído por incêndios, deixando os seus 12.000 ocupantes desabrigados.

A maioria dorme nas ruas, calçadas, campos ou em prédios abandonados. Os migrantes recusam-se a ir para o novo acampamento criado nas proximidades de Moria, temendo não poderem deixar a ilha uma vez lá dentro.

No entanto, cerca de 800 migrantes que estavam há meses ou anos em Moria estão agora alojados no acampamento provisório, fechado à imprensa, apesar do calor, da falta de chuveiros e colchões, segundo testemunhos recolhidos pela AFP.

Estes migrantes temem a animosidade dos habitantes locais, muitos dos quais se opõem à permanência de migrantes em Lesbos.

Incidentes entre requerentes de asilo e residentes, incluindo simpatizantes de extrema-direita, são frequentes na ilha desde o ano passado.

O governador regional do Egeu do Norte, Kostas Mountzouris, um dos maiores opositores do plano do Governo de construir um acampamento fechado na ilha para substituir Moria, convocou empresários e outros profissionais a reunirem-se no final do dia de hoje para exigir "a retirada dos migrantes da ilha a bordo de barcos".

O campo de Moria foi criado em 2015 para limitar o número de migrantes provenientes da vizinha Turquia para a Europa.

Mais de 12.000 pessoas viviam no campo, incluindo 4.000 crianças.

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