Os números associados à propagação e contágio da Covid-19 são assustadores em todo mundo, mas em Itália ganham outra expressão. Entende-se a dimensão do problema quando a questão já não passa só por arranjar meios para tratar os vivos e curar os doentes, mas também por desenvolver mecanismos que permitam responder à escalada da mortandade. São disso exemplo as paradas de camiões militares que trabalham em circuito, entre o carregamento de urnas nos hospitais e o depósito dos mortos em crematórios de incineração contínua.

O norte do país foi desde cedo o mais afetado pela doença. Ainda a Organização Mundial de Saúde não a tinha declarado como pandemia, já a evolução epidemiológica na Lombardia ultrapassava a mais pessimista das previsões.

De acordo com os dados desta quarta-feira divulgados pelo ISTAT (Instituto Nacional de Estatística de Itália) e avançados pela imprensa italiana, a taxa de mortalidade no país aumentou, em média, 60,5%. Para estas contas entra a comparação entre os registos de óbitos nas primeiras três semanas de março deste ano e do ano passado, em 21 capitais de províncias italianas.

Uma análise mais fina permite perceber que, face às assimetrias verificadas na própria propagação - mais vincada nas regiões a norte -, é também na Lombardia e na região de Emília-Romanha que as taxas de mortalidade disparam: em Bergamo, o aumento é de 294% face ao ano passado. Quando comparada com a média dos últimos cinco anos, o valor ascende aos 400%; ou seja, quadruplica.

Já Placência, na região de Emília-Romanha, regista um número não menos expressivo: relativamente a 2019, a razão do número de mortos naquele período de março por cada mil habitantes cresceu 272%. Na cidade de Milão, devido à maior densidade populacional, o número é mais tímido e não vai além dos 17,4%.

No total, Itália contabiliza 110.574 casos de Covid-19 e mais de 13 mil mortos.

João Morais do Carmo