A Organização Mundial de Saúde (OMS) criticou esta quinta-feira o processo de vacinação contra a covid-19, falando numa "lentidão inaceitável" em relação à aprovação e disponibilização de novas vacinas.

Estas são as palavras de Hans Kluge, responsável máximo da organização para a zona europeia.

As vacinas são a nossa melhor chance de sair da pandemia. Contudo, a disponibilização de vacinas [na Europa] está a ser inaceitavelmente lenta, prolongando a pandemia", disse.

Falando sobre a atual situação de covid-19 no continente, o responsável da OMS refere a fase "mais preocupante" dos últimos meses, quando muitos países caminham para uma terceira vaga, que já obrigou a novas medidas de restrição, como em França, que anunciou o fecho das escolas.

A OMS alerta ainda para uma possível sensação de "falsa segurança" enquanto decorre o processo de vacinação, lembrando que será necessário inocular muito mais pessoas para que esse processo se comece a refletir na imunização da sociedade.

Segundo os últimos dados do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças, que compila dados da União Europeia e de mais alguns países, 13,5% da população foi vacinada com a primeira dose. No total, 4,5% das pessoas foram totalmente inoculadas.

Os números são semelhantes em Portugal, que tem 1.753.999 doses administradas, 1.196.971 de primeira dose, o que corresponde a 12% da população. Com vacinação completa existem 494.521 pessoas, o que corresponde a 4% da população nacional.

Isto acontece em paralelo com o sucesso de vacinação de países como Estados Unidos, Israel ou Reino Unido, muito mais avançados no processo de vacinação.

A União Europeia aprovou até ao momentos quatro vacinas (AstraZeneca, Johnson & Johnson, Moderna e Pfizer).

Na região da OMS na Europa, que inclui cerca de cinquenta países, incluindo a Rússia e vários Estados da Ásia Central, o número de novas mortes ultrapassou 24 mil na semana passada e está "rapidamente" a aproximar-se da marca de um milhão, segundo a organização.

O número semanal de novos casos chegou a 1,6 milhão. Há apenas cinco semanas, os números haviam caído para menos de um milhão, apontou a OMS.

António Guimarães