Um incêndio que deflagrou há 13 dias a bordo de um navio porta-contentores ao largo do Sri Lanka foi hoje dado como extinto, após uma operação que envolveu meios internacionais, anunciou a Marinha daquele país asiático.

Peritos de uma empresa dinamarquesa especializada em salvamentos marítimos, a SMIT, estiveram envolvidos na operação, segundo disse, em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP), o porta-voz da Marinha do Sri Lanka, Indika de Silva.

Os especialistas dinamarqueses entraram a bordo do navio MV X-Press Pearl para confirmar a extinção do fogo e relataram um elevado nível de água na sala de máquinas, precisou a mesma fonte, acrescentando que a popa do porta-contentores tinha afundado em cerca de um metro.

Ainda sobre a operação, o porta-voz da Marinha explicou que os jatos de água usados pelas equipas de bombeiros para combater o incêndio foram interrompidos para evitar outras acumulações de água no interior do navio.

Indika de Silva explicou igualmente que algumas das áreas do navio ainda registam elevadas temperaturas, sendo ainda impossível realizar uma avaliação completa à embarcação.

O incêndio, que deflagrou no passado dia 20 de maio a bordo do MV X-Press Pearl e que já foi classificado como um dos piores casos de poluição marítima da história do Sri Lanka, está a ser alvo, entretanto, de uma investigação criminal.

O Departamento de Investigação Criminal do Sri Lanka quer apurar as causas do incêndio, bem como quer avaliar os danos causados ao meio ambiente por este incidente.

No âmbito desta investigação, a tripulação do navio começou a ser interrogada na segunda-feira.

A investigação criminal foi aberta após uma denúncia da Autoridade de Proteção Ambiental Marítima do Sri Lanka (MEPA, na sigla em inglês), segundo explicou a polícia local.

De acordo com a MEPA, o capitão do navio detetou um vazamento de ácido nítrico, em 11 de maio, muito antes de entrar nas águas do Sri Lanka.

Registado em Singapura, o navio transportava 25 toneladas de ácido nítrico, plásticos, soda cáustica, lubrificantes e outros produtos químicos.

Controlado desde domingo, o intenso incêndio no navio de 186 metros destruiu grande parte da carga de cerca de 1.500 contentores, dos quais 28 transportavam matérias-primas plásticas.

A maioria destes contentores caiu no oceano Índico.

Milhões de granulados de polietileno, destinados à indústria de embalagens, foram libertados e cobriram as praias do Sri Lanka, forçando a proibição da atividade piscatória numa área de 80 quilómetros e fazendo recear graves danos ambientais.

A par dos peritos dinamarqueses, a Marinha do Sri Lanka teve apoio da Guarda Costeira indiana.

O navio MV X-Press Pearl, que iniciou atividade há três meses, navegava entre o estado indiano de Gujarat e Colombo (capital do Sri Lanka), quando o incêndio começou, depois de ter passado pelo Qatar e Dubai.

O porta-contentores tinha como destinos finais a Malásia e Singapura.

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