A Rússia criticou as ameaças e sanções dos países da União Europeia contra responsáveis bielorrussos, exprimindo apoio às reformas constitucionais anunciadas pelo regime do presidente Alexandre Lukashenko.

O chefe da diplomacia da Rússia, Sergei Lavrov, durante uma conferência no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo, disse estar "convencido de que o povo bielorrusso tem todos os meios para resolver" a crise política no país.

"É evidente que há questões que devem ser discutidas", afirmou Lavrov acrescentando que alguns Estados ocidentais "se comportam como juízes" que ditam "sentenças" ao adotarem sanções contra Minsk. 

"Nós consideramos que isto é inaceitável no mundo moderno", disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. 

Lavrov demonstrou o apoio da Rússia às reformas constitucionais do presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukashenko, considerando tratar-se de medidas enquadradas na "organização do diálogo com a sociedade civil".

Na semana passada, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que - a pedido de Lukashenko - foi constituído um contingente policial russo que deve ser enviado para a Bielorrússia caso a situação se "descontrole" no país vizinho.

Na segunda-feira, os países bálticos - Lituânia, Estónia e Letónia - declararam Alexandre Lukashenko "persona non grata", assim como 29 altos funcionários do regime de Minsk.

A União Europeia pretende interditar o acesso a membros do regime, mas a lista de pessoas precisa da aprovação dos 27 Estados membros não tendo sido ainda alcançada unanimidade.

Lukashenko, de 66 anos, dos quais 26 no poder na Bielorrússia, enfrenta um movimento de contestação inédito.

A crise foi desencadeada após as eleições de 9 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu Lukashenko para um sexto mandato presidencial, com 80% dos votos.

A oposição denunciou a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos têm saído às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido reprimidos pelas forças de segurança, com milhares de pessoas detidas e centenas de feridos.

Svetlana Tikhanovskaïa, personalidade política que lidera a oposição na Bielorrússia encontra-se refugiada na Lituânia desde o mês de agosto. 

/ AM