Hong Kong realizou hoje milhares de testes de deteção da covid-19, como parte de uma campanha de testagem em massa que se tornou outro ponto de tensão política na região semiautónoma da China.

Voluntários esperaram em fila em alguns dos mais de 100 centros de testes espalhados pela cidade, embora muitos residentes não confiem no equipamento e nas equipas enviadas pelo Governo central, e temam a recolha dos dados do seu ADN.

O governo de Hong Kong rejeitou estas preocupações e a líder do Executivo, Carrie Lam, pediu ao público para avaliar o programa de forma justa e objetiva, apelando aos críticos para que parem de desencorajar as pessoas de serem testadas, uma vez que a participação é crucial para o sucesso do programa.

Priscilla Pun, gestora de vendas, aceitou ser testada.

"Não vejo razão para não o fazer e, assim, posso deixar a minha família no Canadá saber que estou bem", disse Pun, que foi testada num centro no bairro de Quarry Bay, no leste da cidade, citada pela agência Associated Press.

Lam disse em conferência de imprensa que mais de 10.000 pessoas, incluindo a maioria dos quadros do Executivo local, foram testados na manhã de hoje em Hong Kong.

"O programa de teste comunitário universal em grande escala é benéfico para combater a epidemia e benéfico para a nossa sociedade. Isto também vai ajudar Hong Kong a sair ilesa da pandemia e é propício para a retomada das atividades diárias", disse Lam.

Mais de 500 mil pessoas na cidade, que tem 7,5 milhões de habitantes, inscreveram-se com antecedência no programa, que vai ter a duração de pelo menos uma semana. O objetivo é identificar portadores assintomáticos do vírus que possam estar a transmitir a doença.

A expectativa do governo é de que cinco milhões de pessoas participem do programa, que pode ser prolongado por duas semanas, dependendo da procura.

O pior surto de Hong Kong, no início de julho, foi atribuído em parte à ausência de requisitos de quarentena na cidade para funcionários de companhias aéreas, motoristas de camião da China continental e marinheiros em navios de carga.

No pico, Hong Kong registou mais de 100 casos de transmissão local por dia, após passar semanas sem novos casos, em junho.

O surto diminuiu, com a cidade a relatar apenas nove novos casos hoje. No entanto, o governo e alguns especialistas afirmam que os testes comunitários podem ajudar a detetar portadores assintomáticos, visando impedir ainda mais a disseminação do vírus.

O professor especialista em medicina respiratória David Hui disse que, embora as infeções tenham diminuído, a proporção de casos com fontes de infeção não rastreáveis permanece entre 30% e 40%.

"Isto significa que há alguma transmissão silenciosa em andamento. Os testes na comunidade visam detetar esses transmissores silenciosos", disse Hui, que é conselheiro de saúde pública do governo da cidade.

O programa é mais eficaz se a maioria da população participar, acrescentou.

Alguns ativistas pró-democracia, como Joshua Wong, opuseram-se publicamente ao programa.

Wong pediu um boicote, citando relatos da imprensa sueca de que alguns kits de teste usados apresentavam altas taxas de resultados positivos falsos.

Lam observou que, embora falsos positivos possam ocorrer, os testes usados no programa foram aprovados pelo controlo de qualidade.

/ AM