O supremo líder iraniano, Ali Khamenei, acusou os Emirados Árabes Unidos (EAU) de “traírem o mundo muçulmano” ao normalizarem as suas relações com Israel, numa série de mensagens na rede social Twitter.

Na sua primeira reação ao acordo de estabelecimento de relações diplomáticas entre o Estado hebreu e os Emirados, anunciado a 13 de agosto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, o ‘ayatollah’ Khamenei acusou Abu Dhabi de ter traído “as nações árabes, os países da região e a Palestina”.

“Certamente esta traição não durará muito tempo e a marca da infâmia permanecerá com eles”, adianta, indicando também esperar “que os Emirados acordem em breve e ofereçam uma compensação pelo que fizeram”.

As mensagens são divulgadas um dia depois do “primeiro voo comercial direto” entre Israel e os EAU, que deu origem a outra estreia: uma autorização saudita dada ao avião da companhia israelita El Al para sobrevoar o território do país.

Os Emirados são o primeiro país do Golfo a normalizar relações com Israel e o terceiro do mundo árabe, depois do Egito em 1979 e da Jordânia em 1994.

O Irão tem relações tensas há vários anos com os Emirados, um dos seus vizinhos na costa sul e aliado da Arábia Saudita (sunita), a grande rival regional da República Islâmica (xiita).

A 14 de agosto, a diplomacia iraniana qualificou a normalização entre Israel e os Emirados de “estupidez estratégica de Abu Dhabi e de Telavive que fortalecerá sem dúvida o eixo da resistência”.

O Irão considera Israel como o “grande satã”, assim como os Estados Unidos, e o apoio à causa palestiniana é uma constante da política externa iraniana desde a revolução islâmica de 1979.

Os EAU indicaram que o acordo com Israel pressupôs a suspensão da anexação pelo Estado hebreu de território palestiniano ocupado, mas a posição tradicional do mundo árabe tem sido a de fazer depender a paz com o Estado hebreu de um acordo deste com os palestinianos.

O chefe da diplomacia dos EAU disse hoje que a postura do país “continua a ser a de apoiar o apelo ao estabelecimento de um Estado palestiniano independente com capital em Jerusalém oriental”.

Abdullah bin Zayed Al Nahyan falava num encontro virtual com a comunidade palestiniana nos Emirados, segundo a agência de notícias dos EAU, WAM.

Bin Zayed al Nahyan considerou o acordo com Israel como “uma decisão soberana em prol de um futuro pacífico na região”, sublinhando que “a construção da paz estratégica para a região (…) não ocorrerá à custa do apoio (dos EAU) à causa palestiniana”.

/ AM