A administração norte-americana já começou a enviar pacotes de ajuda humanitária para a Venezuela, com alimentos e medicamentos, desafiando o presidente Nicolás Maduro, que acredita que a entrada desses bens poderá levar a uma invasão armada.

Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca disse hoje à agência noticiosa espanhola EFE que o envio já começou, mas não precisou se a ajuda já entrou na Venezuela.

John Bolton, assessor de Segurança Nacional do presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira através da rede social Twitter que os Estados Unidos pretendiam começar a enviar ajuda para a Venezuela depois de ela ter sido pedida pelo autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó.

“Seguindo o pedido do presidente interino, Juan Guaidó, […] os Estados Unidos mobilizarão e transportarão ajuda humanitária […] para o povo da Venezuela. É hora de Maduro sair do caminho”, escreveu Bolton no Twitter.

Os Estados Unido têm disponíveis mais de 20 milhões de dólares (17,4 milhões de euros) para a assistência aos venezuelanos.

O Governo de Maduro recusou a entrada de ajuda por considerar que não há uma crise humanitária no país.

Este sábado, os Estados Unidos instaram ainda os militares venezuelanos a juntarem-se ao autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, como fez o general da Força Aérea Francisco Yanez, que declarou já não reconhecer “a autoridade ditatorial” de Nicolás Maduro.

“Os Estados Unidos apelam a todos os membros das Forças Armadas para que sigam o exemplo do general Yanez e protejam os manifestantes pacíficos que apoiam a democracia”, escreveu o conselheiro da Casa Branca para a Segurança Nacional no Twitter.

A crise política na Venezuela agravou-se a 23 de janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Após a autoproclamação, Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias (a contar desde sábado passado), findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.