O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, vai discutir a situação na Venezuela com o seu homólogo russo, Sergey Lavrov, no início da próxima semana à margem de uma reunião na Finlândia, revelou, esta quinta-feira, uma fonte oficial norte-americana.

Está previsto que os dois ministros participem na segunda e na terça-feira numa reunião ministerial do Conselho do Ártico em Rovaniemi, no norte da Finlândia.

Espero, claro, que o secretário de Estado e ele [o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia] tenham oportunidade de discutir" alguns temas e "a Venezuela será parte desta discussão", disse aos jornalistas a mesma fonte, sob anonimato.

A conversa será sobre "as preocupações relacionadas com a postura da Rússia, incluindo perante a Ucrânia e, certamente, a Venezuela", acrescentou.

Numa conversa por telefone na quarta-feira com Sergey Lavrov, Mike Pompeo acusou Moscovo de ter uma atitude de "desestabilizante para com a Venezuela e na relação bilateral EUA/Rússia", segundo informou o departamento de Estado.

O secretário de Estado norte-americana também pressionou "a Rússia para por fim ao seu apoio a Nicolas Maduro", o Presidente venezuelano que Washington quer fora do poder.

Sergey Lavrov respondeu denunciando, na mesma conversa, "a influência destrutiva" dos EUA na Venezuela e considerando que a "ingerência de Washington" era "uma violação flagrante do direito internacional", segundo um comunicado do ministério russo dos Negócios Estrangeiros. Lavrov criticou ainda a ameaça de intervenção militar dos EUA.

Terça-feira, o secretário de Estado norte-americano tinha dito que Nicolas Maduro estava pronto para voar na mesma manhã para Cuba, sob pressão da oposição, mas que tinha sido dissuadido de o fazer pela Rússia.

Juan Guaidó, que se autoproclamou em janeiro Presidente interino da Venezuela e teve na altura o apoio de mais de 50 países e desde a primeira hora dos Estados Unidos, desencadeou na madrugada de terça-feira um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

O regime de Maduro, que tem o apoio da Rússia, além de Cuba, Irão, Turquia e alguns outros países, ripostou considerando que estava em curso uma tentativa de golpe de Estado e não houve progressos na situação, aparentemente dominada pelo regime.