O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, foi transferido na sexta-feira à noite para uma clínica em Lima, devido a uma diminuição de saturação de oxigénio no sangue, de acordo com o seu advogado, César Nakasaki.

Numa publicação partilhada na rede social Twitter, César Nakasaki refere que Fujimori, a cumprir uma pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, apresenta “um problema sério de saturação de oxigénio” que não foi possível tratar com a assistência que recebeu na prisão.

Segundo o congressista Alejandro Aguinaga, médico pessoal de Fujimori, em declarações ao jornal El Comercio, o ex-governante continua internado porque o problema de saturação “tem sido recorrente” nos últimos meses.

Foi transferido durante a noite [de sexta-feira] para uma clínica. Estava a dessaturar. Ultimamente, há pelo menos quatro meses, tem momentos em que a saturação baixa muito e está praticamente dependente de oxigénio ao final da tarde”, explicou.

De acordo com Alejandro Aquinaga, os problemas de saúde de Fujimori, de 83 anos, são acompanhados pelas enfermeiras da prisão de Lima, onde cumpre pena, mas quando a situação se prolonga, o ex-governante deve ser transferido para uma clínica.

Também na sexta-feira, o Governo do Peru aprovou apresentar ao Chile seis pedidos para prorrogação da extradição de Fujimori, para que este seja processado por homicídio, lesões graves, sequestro e corrupção.

O ex-governante foi detido em 2005 no Chile e extraditado para o Peru em 2007, para ser processado por crimes de corrupção e contra a humanidade, o que culminou em várias sentenças, uma das quais a 25 anos de prisão pelos assassinatos em Barrios Altos e La Cantuta, em 1991 e 1992, respetivamente, cometidos pelo grupo militar secreto Colina.

Dado que a extradição obedece a um mecanismo de cooperação internacional, o país que detém o suspeito tem que aprovar os casos pelos quais será julgado no local de destino.

Nesse sentido, as resoluções que pedem a prorrogação da extradição foram referendadas pelos ministérios nos Negócios Estrangeiros e da Justiça, e dizem respeito às investigações de outros assassinatos cometidos pelo grupo Colina.

Além disso, por suposta execução extrajudicial durante o resgate, em 1997, dos reféns que o Movimento Revolucionário Tupac Amaru fez na residência do embaixador japonês nesse ano, o sequestro e desaparecimento de um fugitivo à justiça, assim como por crimes de corrupção como associação criminosa para cometer delito e peculato doloso em prejuízo do Estado peruano.

Os pedidos de prorrogação da extradição foram apresentados pelo Segundo Juízo Penal Supraprovincial e por cinco tribunais especiais do Tribunal Superior de Justiça de Lima.

Agência Lusa / NM