Um tiroteio junto a uma sinagoga da capital da Áustria, Viena, resultou esta segunda-feira em pelo menos três mortos e cerca de 15 feridos, segundo um novo balanço das autoridades austríacas, que desencadeou uma megaoperação no local. O ministro do Interior, Karl Nehammer, fala num "aparente" ataque terrorista em declarações à ORF, sendo que não existem certezas sobre quantos atacantes seriam.

Presumimos que existam vários atacantes, vários feridos e, provavelmente, também mortos", afirmou.

Mais tarde, a polícia austríaca acabou por confirmar que o ataque continuou para além do tiroteio na praça. Ao todo, a polícia fala em seis cenas de crime, vários atacantes, duas vítimas mortais (entre as quais um dos atacantes) e vários feridos, entre os quais um polícia.

A terceira vítima mortal é uma das mulheres hospitalizadas que não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Como resultado deste terrível crime (...) uma segunda mulher morreu na sequência dos ferimentos”, declarou o autarca de Viena, Michael Ludwig.

A polícia de Viena pediu à população que evite locais e transportes públicos. Já depois foi emitida uma ordem que proíbe todos os transportes de circularem perto do local onde se deu o tiroteio.

Perante a incerteza relativamente ao número de atacantes, a República Checa ordenou que seja feito um controlo junto à fronteira com a Áustria, tentando evitar que algum dos atacantes tente escapar para o país.

As autoridades estão a apelar à população que não partilhe imagens do local, que se situa no primeiro distrito da capital austríaca, numa zona bastante central da cidade, junto à praça Schwedenplatz. Em sentido contrário, é pedido aos cidadãos que têm imagens do sucedido que as carreguem para um link disponibilizado pela polícia.

O ministro do Interior da Áustria confirmou a vários meios de comunicação locais que já existe uma pessoa detida.

Na primeira declaração ao país, o chanceler austríaco também confirmou a morte de um dos atacantes por parte da polícia. Sebastian Kurz fala em "ataques terroristas", afirmando que não se devem deixar intimidar por episódios como este.

O governante acrescentou ainda que a polícia montou um perímetro de segurança em torno da cidade, uma vez que parece não haver certezas de que todos os suspeitos do ataque foram intercetados.

O presidente da república, Van der Bellen, também já expressou as suas condolências às famílias das vítimas.

Foi pedido pela polícia que não se fizessem especulações sobre eventuais vítimas mortais.

O correspondente da estação pública de televisão de Israel partilhou imagens daquilo que parece ser um dos atacantes. Segundo Amichai Stein, o ataque terá sido perpetrado por vários homens.

O presidente da câmara de Viena já reagiu ao ataque, revelando-se "profundamente chocado". Michael Ludwig confirmou que as operações ainda decorrem em vários locais da capital austríaca. 

O jornal Kronen Zeitung fala na troca de vários tiros, acrescentando que um dos atacantes terá feito explodir uma bomba que trazia no corpo, sendo que esse atacante terá morrido.  A mesma publicação refere que existe pelo menos um agente da polícia em risco de vida.

Em declarações à rádio ORF, uma testemunha que estava no local afirmou que os tiros foram dados com recurso a uma arma automática: "Parecia uma explosão. Depois apercebi-me de que eram tiros. Depois vi uma pessoa a correr e a disparar com uma arma automática. A polícia veio e disparou".

Essa mesma testemunha relatou que ouviu "pelo menos 50 tiros", ao mesmo tempo que viu uma pessoa no chão a sangrar.

Um dos tiroteios aconteceu perto de uma sinagoga, que foi fechada quando o ataque começou, por volta de 20:00 locais [19:00 em Lisboa].

A União Europeia já “condenou veemente” o “atentado horrível” ocorrido hoje, através de uma publicação no Twitter do Presidente do Conselho Europeu Charles Michel, apelidando-o de "um ato covarde".

A Europa condena veementemente este ato covarde que viola a vida e os nossos valores humanos. Os meus pensamentos estão com as vítimas e com o povo de Viena após o horrível ataque desta noite. Estamos ao lado da Áustria", pode ler-se.

Uma sinagoga é o local de culto da religião judaica, sendo que a comunidade israelita de Viena já pediu aos seus membros para que evitem sair à rua.

MNE condena atentado em Viena e diz que liberdade religiosa é "valor fundamental"

O ministério dos Negócios Estrangeiros condenou hoje o atentado ocorrido em Viena, onde uma série de tiroteios causaram pelo menos dois mortos e vários feridos, e realçou que “a liberdade religiosa é um valor fundamental”.

Portugal condena veementemente o atentado cometido em Viena junto de uma sinagoga. Exprimimos a nossa solidariedade para com as vítimas e suas famílias”, pode ler-se na mensagem divulgada na rede social Twitter.

A nota divulgada na conta oficial do gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, destaca ainda que “a liberdade religiosa é um valor fundamental”.

 presidente francês, Emmanuel Macron, também condenou o ataque terrorista no centro de Viena.

“Os nossos inimigos devem saber com quem estão a lidar. Não vamos desistir de nada”, destacou, numa mensagem divulgada no Twitter, primeiro em francês e depois em alemão.

A França tem sido vítima de vários ataques e tentativas de ataques por islâmicos radicais desde o final de setembro, incluindo o assassinato de três pessoas ao lado de uma igreja em Nice na quinta-feira e a decapitação de um professor que tinha mostrado durante uma aula algumas caricaturas de Maomé.

Também o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Mass, condenaram os ataques e manifestaram solidariedade para com a Áustria.

António Guimarães