O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, assegurou, esta segunda-feira, estar pronto para se demitir caso os partidos da coligação governamental, Liga (extrema-direita) e Movimento 5 Estrelas (M5S, populista), não consigam resolver as frequentes divergências e polémicas entre si.

Peço a cada uma das forças políticas que façam uma escolha e que me diga se têm a intenção de seguir com o programa de Governo", disse Giuseppe Conte, em declarações aos jornalistas.

Caso contrário, frisou o primeiro-ministro italiano, "simplesmente renunciarei ao mandato".

Peço uma resposta clara, inequívoca e também rápida", insistiu Conte, recusando-se, no entanto, a fixar um prazo.

A coligação governamental italiana Liga/M5S, que entrou em funções em junho de 2018, tem sido marcada ao longo dos últimos meses por divergências entre os dois aliados, situação que se intensificou desde as recentes eleições europeias do passado dia 26 de maio, escrutínio no qual as duas forças políticas mediram forças e trocaram de posições ao nível da votação do eleitorado italiano.

O M5S de Luigi Di Maio, que tinha conseguido 32,5% nas legislativas de março de 2018 obteve 17% nas europeias, enquanto a Liga de Matteo Salvini passou de 17% para 34%, a força mais votada em Itália.

Perante tal votação, a Liga de Matteo Salvini (vice-primeiro-ministro e ministro do Interior) quer ditar a agenda política do país, especialmente no que diz respeito às ameaças de Bruxelas de eventuais sanções europeias por causa da deterioração das contas públicas italianas.

Mas Giuseppe Conte pede "uma colaboração leal" de todos os seus ministros, sem exceção.

Uma colaboração leal significa que, se existirem questões políticas a levantar, não lançamos sinais ambíguos nos jornais, mas conversamos, principalmente, com o chefe do Governo", referiu.

E prosseguiu: "Se continuarmos com as polémicas através da imprensa e com as palavras nas redes sociais, não podemos continuar a trabalhar".

Giuseppe Conte lembrou ainda que a atual equipa governativa italiana foi chamada para "desenhar o futuro do país", apontando, sem especificar nomes, que isso é muito diferente de agradar multidões em locais públicos ou nas redes sociais.

As palavras de Conte estão a ser encaradas como um ataque direto a Salvini e à sua contínua presença nas várias redes sociais.