A congressista democrata dos Estados Unidos Sheila Jackson Lee declarou esta terça-feira que vai apresentar ao Congresso nacional uma lei com o nome de George Floyd para “uma nova cultura para a polícia”.

Na quinta-feira, vou apresentar uma lei revolucionária, que fala de uma nova cultura para a polícia, policiamento, recrutamento, pela 'desescalada' [da violência], acreditação e para garantir que a polícia está como devia estar, para proteger e servir”, disse Sheila Jackson Lee no palco de um protesto em Houston, no Texas, cidade onde George Floyd foi criado.

“Vamos honrar [a memória], por isso vou agarrar o desafio de nomear um projeto de lei no Congresso dos Estados Unidos com o nome de George Floyd, para que a sua memória nunca seja esquecida e nunca ignorada”, disse a representante do Texas.

Sheila Jackson Lee pediu a colaboração de todo o Congresso dos Estados Unidos, constituído por 535 representantes de todo o país, e do grupo Congressional Black Caucus (Caucus Negro do Congresso, CBC), um grupo de congressistas que defendem os direitos civis de todas as raças e que se opõem ao racismo no país.

O CBC já publicou uma declaração a condenar a brutalidade usada pelos polícias na morte de George Floyd, cujo “crime foi ser um homem negro na América”.

Quantas vezes é que os policiais serão o juiz, júri e carrasco do nosso povo? Quantas vezes serão violados os nossos direitos humanos?”, pode ler-se na declaração.

O CBC pediu a investigação por parte do chefe da polícia de Minneapolis, onde a morte ocorreu, e exigiu a detenção e condenação dos quatro agentes envolvidos no caso de George Floyd.

Atenta aos pedidos de reformas da legislação, feitos na terça-feira pelos participantes do protesto de Houston, com leis punitivas do racismo e criação de conselhos independentes para investigar operações policiais, a congressista Sheila Lee Jackson disse que aceita “o desafio”.

Não quero voltar a percorrer este caminho. É tempo de uma revolução para a mudança, pela dignidade de todas as pessoas”, disse a legisladora.

Durante o protesto, os eleitos políticos da cidade, congressistas e representantes do 'governo' de Houston receberam apelos para criar legislação contra o racismo, para a reforma de políticas e ainda a criação de conselhos de revisão da comunidade, com poderes de levar a julgamento os membros das autoridades.

Bernard Freeman, ‘rapper’ conhecido pelo nome artístico Bun B, defendeu, no protesto de terça-feira em Houston, a criação de conselhos de revisão, “para garantir que quando a polícia não se consegue policiar, conselhos independentes possam intervir e responsabilizar, com detenções e acusações judiciais”.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

/ AG