O governo britânico divulgou, esta sexta-feira, a lista dos países com os quais Inglaterra vai estabelecer corredores turísticos por causa da pandemia de Covid-19 e Portugal está excluído.

França, Espanha, Itália, Alemanha e Grécia são alguns dos Estados europeus que fazem parte desta lista, constituída por 59 países.

Desde 8 de junho que todas as pessoas que chegam do estrangeiro ao Reino Unido, incluindo britânicos, são obrigadas a permanecer em isolamento durante 14 dias para reduzir a probabilidade de contágio da Covid-19.

As transgressões são puníveis com multas de mil libras (1.100 euros), estando isentas apenas as pessoas vindas da Irlanda, motoristas de transportes de mercadorias, médicos que estejam envolvidos no combate à pandemia e trabalhadores agrícolas sazonais. 

Mas a partir de 10 de julho, os viajantes que regressem a Inglaterra a partir de qualquer um dos países desta nova lista não terão de ficar 14 dias em quarentena. A medida aplica-se a todo o tipo de viagens: quer viagens aéreas, quer viagens de comboio, barco ou autocarro.

O ministério dos Transportes britânico destacou, no entanto, que a lista ainda não está fechada e poderá integrar novos países nos próximos dias.

Esta lista poderá ser aumentada nos próximos dias, após discussões adicionais entre o Reino Unido e parceiros internacionais”, refere o ministério dos Transportes britânico.

A medida aplica-se apenas a Inglaterra porque Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm autonomia sobre matéria de saúde e cabe aos respetivos governos determinar as medidas que pretendem introduzir. 

A lista de países foi elaborada após uma “avaliação de risco” pelo Centro de Biosegurança Comum [Joint Biosecurity Center], em conjunto com a direção geral de saúde de Inglaterra [Pubic Health England] e teve em conta fatores como a prevalência de coronavírus, o número de novos casos e a trajetória potencial da doença.

Também esta quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico deixou de desaconselhar as viagens para a Madeira e Açores, juntamente com uma série de outros países, mas mantém a quarentena no regresso.

“Estes países foram avaliados como não apresentando mais um risco inaceitavelmente alto para os britânicos que viajam para o estrangeiro”, refere o comunicado do Ministério, aludindo que os critérios incluem considerações sobre a saúde pública. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico mantinha desde meados de março um conselho contra "todas as viagens não essenciais em todo o mundo” devido à crise causada pelo novo coronavírus, embora continuem a circular aviões entre Portugal e o Reino Unido com serviços reduzidos.

Porém, hoje alterou este conselho para 33 países europeus, como Espanha, Alemanha, Bélgica ou Turquia, vários territórios ultramarinos britânicos e outros países como Austrália, Japão, Nova Zelândia ou Coreia do Sul. 

A partir de 4 de julho, o conselho do Ministério contra todas as viagens internacionais não essenciais deixa de se aplicar à Madeira e Açores tendo em conta a avaliação atual dos riscos de infeção com o coronavírus.

Na semana passada, o jornal Telegraph noticiava que Portugal estava em risco de não integrar a lista de países considerados seguros pelo governo britânico e que existia um "debate intenso" em torno deste assunto. O jornal frisava que a incerteza em relação ao nosso país prendia-se com “o pico de Covid-19 registado nos últimos dias em Lisboa” e com “a ligação ao Brasil”, onde o número de infetados também tem aumentado “em espiral”.

O Governo português tem sido ativo na pressão junto das autoridades britânicas para abrir um “corredor” para Portugal, país que é o destino escolhido por mais de 2,5 milhões de britânicos todos os anos. Os turistas britânicos representaram quase 20% das dormidas de estrangeiros em 2019.

O Reino Unido registou até quinta-feira 43.995 mortes (em 283.757 casos de infeção) devido à Covid-19, o maior número na Europa e o terceiro maior no mundo, atrás dos EUA e Brasil.

Portugal contabiliza pelo menos 1.587 mortos associados à Covid-19 em 42.782 casos confirmados de infeção.

Sofia Santana