Pelo menos 58 pessoas morreram e mais de 160 ficaram feridas, esta terça-feira, num ataque aéreo com gás tóxico numa cidade no noroeste da Síria, revelou o Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH). Entre as vítimas mortais estão, pelo menos, onze crianças.

Segundo a organização não-governamental, o ataque ocorreu na localidade de Khan Cheikhoun, na província de Idlib.

A União das Organizações para os Cuidados Médicos dá conta de números maiores e fala em 100 mortos e 400 feridos.

Segundo a AFP, o hospital onde várias vítimas estão a ser socorridas foi alvo de bombardeamentos.

O OSDH indica que as pessoas morreram asfixiadas, mas não foi ainda possível determinar a natureza do gás utilizado. Um número, ainda indeterminado, de residentes apresentavam problemas respiratórios, vómitos, espuma na boa e desmaios.

A ONG não especificou se o ataque foi realizado com um avião do governo sírio ou russo.

A União das Organizações para os Cuidados Médicos afirmou, à Reuters, que além do ataque químico a zona foi alvo de bombardeamentos.

"Vimos mais de 40 ataques desde as 6:30. O número de vítimas continua a subir à medida que aumentam os ataques na região de Idlib, bem como os ataque 'não-químicos' em Hama".

A oposição ao regime sírio exige que a ONU investigue o ataque químico e lembra que ações como esta colocam em causa trabalhos para alcançar a paz.

A zona atacada é controlada por um grupo de rebeldes, incluindo do antigo braço da Al-Qaeda na Síria, Frente Fateh al-Sham.

 

Reunião de emergência da ONU

Na sequência do ataque, o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro francês, também, condenou o “ataque nojento”.

Um novo, e particularmente sério, ataque aconteceu esta manhã na província de Idlib. As primeiras informações sugerem um grande número de vítimas, incluindo crianças. Condeno este ato nojento”, afirmou, segundo a Reuters.

“À luz de ações tão sérias, que ameaçam a segurança internacional, peço que todos olhem para as suas responsabilidades. Por estas razões peço uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU”, acrescentou.

A reunião já foi confirmada pelo representante da ONU para as questões da Síria, Staffan de Mistura, que exige que sejam apuradas responsabilidades.

O [ataque] foi horrível e queremos, não tenho dúvidas que haverá uma reunião do Conselho de Segurança sobre isto, que sejam apuradas responsabilidades", afirmou, numa conferência de imprensa em Bruxelas, segundo a Reuters.

Outra reação de peso chega da Turquia. O presidente Tayyip Erdogan falou com o homólogo russo, Vladimir Putin, ao telefone e deixou claro que este tipo de ataques são “inaceitáveis”.

O presidente turco também frisou a importância de manter o cessar-fogo na Síria.