A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao seu homólogo arménio, Nikol Pashinian, durante uma conversa telefónica, um cessar-fogo imediato em Nagorno-Karabakh e o início das negociações com o Azerbaijão.

A vice-porta-voz do executivo alemão, Ulrike Demmer, explicou este domingo, num comunicado, que a conversa entre os dois líderes sobre o conflito de Nagorno-Karabakh ocorreu no sábado.

"Angela Merkel enfatizou que todos os lados devem abandonar as hostilidades […] e que uma negociação deve começar. A chanceler apoiou a declaração dos copresidentes do Grupo de Minsk", disse Ulrike Demmer.

A vice-porta-voz referia-se ao texto acordado em 01 de outubro entre a Rússia, os Estados Unidos e França no âmbito da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O Grupo de Minsk foi criado em 1992 pela OSCE para encorajar a negociação entre o Azerbaijão e a Arménia no sentido de resolverem pacificamente o conflito de Nagorno-Karabakh.

A chanceler também foi favorável a um "cessar-fogo humanitário" para poder enterrar os soldados que morreram nos confrontos armados dos últimos dias.

O novo confronto armado na região de Nagorno-Karabakh completou uma semana de intensos combates no sábado, sem haver qualquer sinal de que a Arménia e o Azerbaijão estejam dispostos a discutir um cessar-fogo.

No centro das deterioradas relações entre Erevan e Baku encontra-se a região do Nagorno-Karabakh, no Cáucaso do Sul onde há interesses divergentes de diversas potências, em particular da Turquia, da Rússia, do Irão e de países ocidentais.

Este território, de maioria arménia, integrado em 1921 no Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio da Arménia.

Na sequência da uma guerra que provocou 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk, constituído no seio da OSCE, mas as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Em julho deste ano, os dois países envolveram-se em confrontos a uma escala mais reduzida que provocaram cerca de 20 mortos. Os combates recentes mais significativos remontam abril de 2016, com um balanço de 110 mortos.

/ AM