A Alemanha, que atualmente preside à União Europeia, estimou esta sexta-feira que um simples regresso ao acordo existente sobre o programa nuclear do Irão seria insuficiente e que este deveria ser estendido aos programas balísticos de Teerão.

Não será suficiente um regresso ao acordo atual”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, ao semanário Der Spiegel, na perspetiva de um possível renascimento desse dossiê depois da entrada no cargo do democrata Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos.

 

Será necessário mais do que um acordo nuclear, o que também é do nosso interesse”, declarou.

Joe Biden confirmou, na quarta-feira, que é a favor de que os EUA regressem ao acordo se as autoridades iranianas voltarem a “cumprir estritamente” os limites impostos ao seu programa nuclear, antes das negociações sobre outras ameaças apresentadas por Teerão.

Temos expectativas claras em relação ao Irão: sem armas nucleares, mas também sem programa de mísseis balísticos que ameace toda a região”, sublinhou Heiko Maas, cujo país detém a presidência semestral da União Europeia até ao final deste mês, altura em que passará para Portugal.

 

O Irão deve também desempenhar outro papel na região. Precisamos do acordo porque não confiamos no Irão”, prosseguiu Maas, garantindo que havia concordado nesses pontos com o homólogo francês e inglês.

O atual presidente dos EUA, Donald Trump, que vai deixar a Casa Branca em janeiro, saiu, em 2018, do acordo alcançado entre os Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido com o Irão para impedir o país de adquirir armas nucleares, considerando o acordo insuficiente para conter o comportamento “desestabilizador” da República Islâmica.

No processo, o Presidente republicano reimpôs e endureceu as sanções norte-americanas suspensas em 2015.

Joe Biden confirmou o seu plano de voltar ao acordo na quarta-feira, dizendo que “será difícil”, mas que o objetivo é esse, em declarações a um colunista do jornal New York Times.

[Só depois de Washington e Teerão regressarem ao acordo], em consulta com os aliados e parceiros, vamos envolver-nos em negociações e acordos de acompanhamento para endurecer e prolongar as restrições nucleares impostas ao Irão e para lidar com o programa de mísseis” iraniano, explicou Joe Biden.

/ CE