A Pfizer anunciou, nesta sexta-feira, que o seu medicamento antiviral para a covid-19, ainda em fase de experimentação, tem uma eficácia de 89% na prevenção de hospitalizações e mortes.

A farmacêutica norte-americana junta-se assim à Merck na corrida aos medicamentos contra a covid-19 nos Estados Unidos, tendo já submetido o pedido à autoridade do medicamento no país, a FDA, Food and Drug Administration. O Reino Unido, aliás, anunciou na quinta-feira uma autorização de uso condicional do antiviral da Merck, farmacêutica que na Europa se chama MSD. 

O antiviral da Pfizer, cujo nome não é conhecido, estava em fase de testes, mas os resultados promissores em tão pouco tempo levaram a farmacêutica a avançar desde já com o pedido de autorização.

Sabe-se, no entanto, que se trata de um fármaco que faz parte da família de antivirais conhecidos como iniciadores da prótase (cada uma das enzimas que provocam o desdobramento das proteínas em aminoácidos), que revolucionaram o tratamento do HIV e da Hepatite C. Estes medicamentos bloqueiam uma enzima chave que os vírus precisam para se multiplicarem no corpo humano.

O antiviral em questão já tinha sido estudado pela farmacêutica norte-americana em 2003, durante o surto de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave, na tradução) na Ásia, também com origem num coronavirus, mas só no ano passado, devido à pandemia de covid-19, os investigadores da Pfizer retomaram os estudos devido às semelhanças entre os dois coronavirus. 

Resultados preliminares

Os resultados preliminares agora conhecidos resultam de um estudo com 775 adultos. Trata-se de participantes que não foram vacinados contra a covid-19, com sintomas leves a moderados da doença, mas que eram considerados doentes de risco devido a problemas de saúde como obesidade, diabetes e doenças cardíacas. O tratamento teve início três a cinco dias depois dos primeiros sintomas e teve uma duração de cinco dias.

Os pacientes que tomaram o antiviral, combinado com outro medicamento da farmacêutica, revelaram uma redução de 89% na probabilidade de hospitalização ou morte ao fim de um mês, em comparação com os pacientes que tomaram o placebo. Menos de 1% precisaram de ser internados e não foi registada qualquer morte neste grupo. No grupo de comparação, 7% foram hospitalizados e registaram-se, ainda, sete óbitos.

Esperávamos ter em mãos algo extraordinário, mas é raro ter bons medicamentos com quase 90% de eficácia e 100% de proteção contra a morte", disse o diretor científico da Pfizer, Mikael Dolsten, citado pela agência de notícias Associated Press.

Quanto a efeitos secundários, a Pfizer adiantou poucas informações, referindo apenas que as taxas de problemas eram semelhantes entre os dois grupos, o grupo que tomou o antiviral e o que tomou o placebo, em cerca de 20%.

Mas foram, precisamente, os resultados imediatos e promissores que levaram à suspensão do estudo, após recomendação de um grupo de especialistas independente que monitoriza os ensaios do antiviral da Pfizer. Esta interrupção do estudo é um procedimento normal quando os resultados mostram benefícios muito claros.

Os dados ainda não foram publicados para revisão externa, ou seja, pelos pares.

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Catarina Machado