Foi um primeiro-ministro, visivelmente, emocionado mas, como o próprio disse, que não perde “o humor”, que se apresentou aos italianos para uma conferência de imprensa, no Palazzo Chigi, em Roma, já passava da meia-noite, 23:00 horas de Lisboa.

Matteo Renzi fez o que tinha anunciado no início da campanha eleitoral, em caso de vitória do “não” e apresentou a demissão.

Amanhã, à tarde, vou convocar o meu conselho, e depois entregar minha renúncia [ao cargo] nas mãos do Presidente Mattarella ", disse Renzi, agradecendo a todos os que trabalharam com ele para tentar levar em diante as reformas que pretendia.

"A minha experiência como chefe do Governo termina aqui", declarou Renzi.

De resto, e segundo o jornal La Repubblica, antes da conferência de imprensa o chefe de Governo já tinha telefonado ao Presidente da República para lhe dar conta da sua decisão.

Matteo Renzi também fez questão de reconhecer a derrota - 59,95% para o "não" contra 40,05% para o "sim" (apuramento oficial final dos votos) - no referendo sobre as reformas constitucionais. O povo italiano "falou clara e inequivocamente", disse o primeiro-ministro.

A 'não' ganhou de forma invulgarmente clara. Parabéns". E para os adeptos “sim” acrescentou: "Assumo totalmente a responsabilidade pela derrota. Eu perdi, não vocês. Queria cortar nas cadeiras e a cadeira que salta é a minha"

O primeiro-ministro Matteo Renzi tinha dito que batia com a porta, se tal recusa acontecesse. Foi o chefe de Estado que convocou este referendo constitucional. Renzi queria por fim ao “bicamerismo perfeito”: A Câmara dos Deputados e a Câmara do Senado têm, mais ou menos, o mesmo poder e a ideia é que o Senado passe a ser nomeado e composto por representantes regionais (deixando de ter 315 membros e passando para 100), acabando por perder poder. Tudo para facilitar a aprovação de leis, dado que o atual sistema complica esse processo.

O referendo estava ainda associado à nova lei eleitoral, aprovada pelo parlamento em 2015, mas que pode sofrer um revés na Justiça, que ainda a está a avaliar. O objetivo é acabar com a instabilidade nas decisões políticas, dando mais poder ao partido mais votado. Conhecida como Italicum, implica reforçar a maioria na Câmara dos Deputados. Como? O partido que conseguir 40% dos votos terá uma espécie de prémio como se tivesse obtido 54%. Se nenhum alcançar essa percentagem, vai-se à segunda volta entre os dois partidos mais votados.

Para já, a vitória do "não", que traz consigo a demissão de Renzi, vai fazer tremer a Europa. Tanto ou mais que o Brexit.