O presidente eleito dos Estados Unidos descreveu esta quarta-feira a invasão de manifestantes pró-Trump ao Capitólio como um "assalto sem precedentes à democracia dos EUA".

A esta hora, a nossa democracia enfrenta um assalto sem precedentes. Nunca vimos nada assim nos tempos modernos. Um assalto à citadela da liberdade, o próprio Capitólio. Um assalto aos representantes da população e à polícia de Capitol Hill, que os jurou defender", discursa.

 

Deixem-me ser claro", afirma Biden, "as cenas de caos no Capitólio não refletem a verdadeira América. Não representam quem somos. O que estamos a ver é um pequeno número de extremistas dedicados à desordem. Isto não é dissidência, é caos na margem da sedição. E tem de acabar agora", exige Joe Biden.

O recente eleito presidente dos Estados Unidos apelou a Donald Trump que se apresentasse na televisão e condenasse a invasão do espaço democrático. 

As palavras de um presidente importam, quer venham de um bom ou mau presidente. No seu melhor, as palavras inspiram, no pior, incitam. Assim, peço ao presidente Trump que se dirija à nação e cumpra a promessa de defender a constituição", disse Biden que descreveu a multidão como uma "insurreição".

Biden sublinhou que "ameaçar a segurança de representantes eleitos "não é um protesto, é uma insurreição". "O mundo está a observar. Estou chocado e triste que a nossa nação esteja a atravessar um momento tão difícil", afirmou.

A invasão do Capitólio por apoiantes do Presidente cessante norte-americano, Donald Trump, inviabilizou esta quarta-feira a ratificação, por parte do Colégio Eleitoral, da vitória do democrata Joe Biden nas eleições de 03 de novembro.

Pouco antes do início dos trabalhos da reunião conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes, foi travada uma guerra verbal entre Trump e o seu vice-Presidente, Mike Pence, com o chefe de Estado cessante a pressioná-lo para que não permitisse que o Congresso ratifique os resultados eleitorais, tirando partido da sua função, por inerência do cargo, de presidente do Senado.

Em resposta, e à medida que os arredores do Capitólio se iam juntando milhares de apoiantes de Trump, Pence acabou por desafiar o ainda Presidente, salientando que chefe de Estado cessante não tem o poder para rejeitar os votos eleitorais. 

Na ocasião, Pence argumentou com a Carta Magna dos Estados Unidos, lembrando o juramento que fez de “apoiar e defender a Constituição” o impede de “reivindicar autoridade unilateral para determinar quais os votos eleitorais que devem ser contados e quais os que não devem”.

Após o início dos trabalhos, os republicanos no Congresso opuseram-se à contagem dos votos do Colégio Eleitoral do Arizona, forçando a uma votação sobre a vitória de Biden, ameaçando, paralelamente, contestar resultados noutros estados e perturbando a validação da vitória do candidato democrata.

 

UE condena cerco à democracia americana e pede respeito por resultados

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, condenou hoje o “cerco à democracia norte-americana” com violentos protestos e invasão do Capitólio, vincando que os resultados das eleições presidenciais “devem ser plenamente respeitados”.

Aos olhos do mundo, a democracia norte-americana aparece hoje à noite sob cerco. Este é um ataque invisível à democracia norte-americana, às suas instituições e ao Estado de direito”, reagiu Josep Borrell, numa publicação na sua conta oficial do Twitter.

Numa altura de tensão em Washington, o Alto Representante da UE para a Política Externa vincou que “isto não é a América”, adiantando que “os resultados eleitorais de 03 de novembro devem ser plenamente respeitados”.

Josep Borrell disse, ainda, “louvar as palavras de Joe Biden”, que pediu contenção.

A força da democracia dos Estados Unidos prevalecerá sobre os indivíduos extremistas”, concluiu o chefe da diplomacia europeia.

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou hoje que os violentos protestos ocorridos no Capitólio foram “um ataque sem precedentes à democracia” do país e instou Donald Trump a por fim à violência.

A posição foi assumida numa declaração ao país após a sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA ter sido interrompida devido aos distúrbios provocados pelos manifestantes pró-Trump no Capitólio.

Milhares de manifestantes tinham-se reunido hoje em Washington, protestando e contestando a vitória do democrata Joe Biden.