O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid al Moualem, afirmou que o Exército não usou nem usará armas químicas contra os seus cidadãos ou "contra terroristas", avança a Reuters.

O Exército Sírio nunca usou armas químicas nem vai usar contra sírios ou até contra terroristas", afirmou Moualem, minimizando a possibilidade de investigação do ataque, alegando que Damasco precisaria de garantias de que seria imparcial.

O governo sírio apresentou, esta quinta-feira, condições para a possibilidade de um inquérito internacional ao alegado ataque de terça-feira, dizendo que este não deve ser "politizado" e deve começar ser trabalhado desde Damasco. Até porque, segundo o ministro, a experiência anterior de inquéritos internacionais "não é encorajadora".

Walid al Moualem acrescentou ainda que governo apenas consideraria a hipótese de um inquérito se as suas preocupações fossem asseguradas.

"É um crime monstruoso" 

O Kremlin falou, esta quinta-feira, sobre o ataque químico da Síria, classificando-o como um "crime monstruoso". No entanto, o porta-voz oficial alertou que as conclusões de Washington sobre o incidente não são baseadas em dados objetivos. 

Foi um crime perigoso e monstruoso, mas será incorreto colocar rótulos (para identificar os responsáveis", afirmou Dmitry Peskov em conferência de imprensa.

Afirmando que o uso de armas químicas é "inaceitável", Peskov lembrou o exército sírio que é preciso garantir que tais armas não caíam nas mãos de terroristas.

O porta-voz do Kremlin disse ainda que as provas sobre o incidente fornecidas pelos "Capacetes Brancos" não podem ser consideradas fiáveis, acrescentando que a Rússia "não concorda com essas conclusões".

Imediatamente depois da tragédia ninguém teve acesso a esta região... qualquer dado que o lado dos EUA ou colegas de outros países possam ter tido acesso podem não ter sido baseados em factos objetivos".

 No entanto, este desacordo não deverá ter influência nas ligações entre a Rússia e os EUA, acrescentou.

Autópsias confirmam uso de armas químicas

O ministro da Justiça da Turquia, Bekir Bozdag, anunciou esta quinta-feira que as autópsias a três vítimas do ataque de terça-feira em Khan Sheikhun, noroeste da Síria, confirmam o uso de armas químicas.

Foram feitas autópsias a três cadáveres levados de Idlib [a província em que se situa Khan Sheikhun] para Adana [sul da Turquia]. Participaram representantes da Organização Mundial de Saúde e da Organização para a Proibição de Armas Químicas [OPAQ]. O resultado das autópsias comprovou o uso de armas químicas”, disse.

Trinta e duas vítimas do ataque foram levadas para a Turquia depois dos hospitais de Idlib ficarem sobrelotados por causa do ataque. Três das vítimas acabaram por falecer e as autópsias aos três corpos foram finalizadas, ao início desta quinta-feira, na província de Adana.

Mais de 80 pessoas morreram e perto de duas centenas ficaram feridas no ataque. Cerca de 60 feridos foram levados para a Turquia para serem tratados e três deles morreram, segundo as autoridades turcas.