Um alto responsável da Agência Europeia do Medicamento confirmou a existência de uma "ligação" entre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 e o surgimento de coágulos saguíneos, em alguns casos fatais.

A confirmação foi avançada pelo próprio chefe do departamento de vacinas do regulador europeu, EMA (na sigla original), em declarações ao jornal italiano II Messaggero, nesta terça-feira.

Podemos dizer agora que está claro que há uma ligação com a vacina. Mas ainda não sabemos o que causa essa reação", assumiu Marco Cavaleri.

O regulador europeu já reagiu a estas declarações, dizendo que "ainda não chegou a uma conclusão" sobre esta eventual ligação e que a avaliação "está em curso", divulgou a EMA em declaração oficial, citada pela agência France-Presse (AFP).

Até ao momento, a Agência Europeia do Medicamento, bem como a Organização Mundial da Saúde, defenderam sempre que os benefícios da vacina da AstraZeneca compensavam os riscos.

Nas próximas horas, diremos que haverá uma conexão, mas ainda temos de compreender como isto acontece", indicou, ainda, Marco Cavaleri.

 

Essa atualização da EMA pode chegar a qualquer momento, o mais tardar até quarta-feira.

Estamos a ter perceber o que está a acontecer para definir em detalhe essa síndrome decorrente da vacina. Entre os vacinados há mais casos de trombose cerebral... entre os jovens do que seria de esperar", reconheceu.

Muitos países europeus, como a Alemanha e os Países Baixos, suspenderam já a administração da vacina da AstraZeneca a menores de 60 anos, precisamente porque os casos reportados registaram-se, na sua maioria, entre pessoas mais novas, sobretudo mulheres.

Decisões tomadas numa altura em que a Agência Europeia do Medicamento e a Organização Mundial de Saúde continuam a defender a inoculação com esta vacina.

Em Portugal, a vacina da AstraZeneca está a ser administrada a qualquer grupo etário dos já definidos para vacinação contra a covid-19.

No sábado, as autoridade de saúde do Reino Unido, país onde a vacina da AstraZeneca, desenvolvida em colaboração com a Universidade de Oxford, está a ser administrada em larga escala, confirmaram sete mortes devido a coágulos entre os 30 casos reportados de trombose ou reações adversas até 24 de março.

Dos 30 casos reportados, 22 foram tromboses venosas cerebrais e 8 foram tromboses menos graves, associadas a plaquetas baixas. E as pessoas em questão receberam apenas a primeira dose da vacina. No entanto, não foram divulgadas informações sobre o género e idade das vítimas, nomeadamente se seriam mulheres com menos de 60 anos.

Ao todo, no Reino Unido foram administradas até ao momento 18 milhões de doses da vacina da AstraZeneca: 15,8 milhões referentes à primeira dose e 2,2 milhões à segunda.

A vacina da AstraZeneca, que mudou de nome para Vaxzevria na União Europeia, tem estado debaixo de fogo depois de reportados vários casos de coágulos.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na UE: Pfizer/BioNTech, Moderna, Vaxzevria e Janssen (grupo Johnson & Johnson).


 

Catarina Machado