A Itália informou este sábado recusar a entrada no porto da ilha de Lampedusa das embarcações da Organização Não-Governamental (ONG) alemã Sea Eye, com 65 migrantes a bordo, e da italiana Mediterranea, um pequeno veleiro com 41 resgatados.

O Ministério do Interior italiano informou que um barco da Guarda de Finanças, a polícia italiana responsável pela defesa nacional das fronteiras, notificou o comandante do barco Alan Kurdi, da organização Sea Eye, da “a proibição de acesso, trânsito e atraque em águas territoriais italianas”.

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, de extrema-direita, estimulou uma política de portos encerrados a barcos das organizações humanitárias que salvam vidas no Mediterrâneo, que acusa de fomentarem a imigração ilegal.

O barco Alan Kurdi, batizado assim em memória do menino sírio afogado em 2015 em águas turcas, salvou na sexta-feira 65 migrantes em águas internacionais em frente à Líbia e rumou para Lampedusa por considerar este o porto seguro mais próximo.

Por outro lado, 41 migrantes aguardam o desembarque do veleiro Alex, da ONG italiana Mediterranea, um barco de pequenas dimensões e sem instalações suficientes para tantas pessoas, que permanecem ao sol, num convés lotado.

Na quinta-feira, 54 pessoas foram resgatadas da Líbia e, um dia depois, 13 tiveram que ser retiradas do Alex por razões médicas: seis mulheres (incluindo quatro grávidas), dois homens, quatro crianças menores de um ano e outra de 12 anos, indicaram fontes do Governo italiano.

Devido a estas condições, a ONG pediu permissão para atracar em Lampedusa.

O caso desta embarcação causou mau estar entre os governos da Itália e de Malta, uma vez que tem a permissão para desembarcar migrantes no porto de Valletta.

A Mediterranea considera “insensato” ter de viajar com 41 pessoas a bordo mais a tripulação – o barco tem capacidade para 18 – até Malta, a mais de 90 milhas de distância (cerca de 144 quilómetros) e não os deixem chegar a Lampedusa, a apenas 12 milhas (a apenas 20 quilómetros).

Segundo a ONG, será "impossível" chegar a Malta se os migrantes não forem primeiro transferidos para embarcações militares maltesas ou italianas.

Entretanto, a Itália enviou ao Mediterranea algumas provisões: 34 caixas, 54 refeições, quase 200 cobertores térmicos e desinfetante.

A Itália confirmou à embarcação a sua disponibilidade para a escoltar com navios militares até La Valletta, com o transbordo de migrantes para navios mais seguros, em troca de que o veleiro entre no porto e se submeta aos controles das autoridades.

O ministério de Salvini assinalou que a ONG recusou esta possibilidade, considerando esta atitude uma “exigência de impunidade”, isto é, a Itália suspeita de que a Mediterranea não pretende transportar os migrantes até Malta por temer que lhe confisquem a embarcação.

Barco de resgate alemão dirige-se para Lampedusa com 65 migrantes

 

O barco alemão Alan Kurdi está a deslocar-se para a ilha italiana de Lampedusa com 65 migrantes a bordo, apesar da proibição de Itália e do conflito gerado pela chegada a esse porto do See Watch 3.

A ilha italiana é o porto europeu mais próximo. A partir de lá, os resgatados podem ser levados para um local seguro e assim o exige o direito internacional”, disse, num comunicado, a Organização Não-Governamental (ONG) See Eye, à qual pertence a embarcação.

A tripulação do barco recusou uma oferta da guarda costeira líbia para atracar no porto de Sawija.

A Líbia não é um local seguro para ninguém”, explicou a fonte da organização, acrescentando que um dos refugiados assegurou que um companheiro de fuga morreu na fronteira líbia, devido a disparos das forças de segurança.

Os centros de salvamento de Roma e La Valetta não responderam às comunicações do barco, enquanto o centro de Bremen (Norte da Alemanha) reagiu imediatamente e informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Entre os 65 migrantes, 39 são presumivelmente menores de idade e calcula-se que o mais novo tenha 12 anos.

O navio Alan Kurdi foi batizado pela Sea-Eye em homenagem ao menino sírio cujo corpo foi encontrado numa praia turca em 2015.