A polícia brasileira encontrou na sexta-feira um cemitério clandestino com pelo menos 12 corpos, no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde opera um grupo de milícias.

O túmulo foi descoberto a cerca de 40 quilómetros da cidade do Rio de Janeiro e as autoridades acreditam que o cemitério seria usado pela milícia que atua na região, e que foi alvo, esta semana, de uma operação que culminou em 43 detenções.

Na noite de sexta-feira, as autoridades encontraram 12 corpos, alguns em estado de decomposição avançada. As identidades dos corpos ainda são desconhecidas.

O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a familiares das vítimas da milícia, liderada por Orlando Oliveira de Araújo, mais conhecido como Orlando Curicica, que informem a polícia acerca de possíveis desaparecimentos, com o intuito de descobrir quem poderá ter sido enterrado naquele local.

A polícia acredita que a milícia que opera na área tenha praticado tortura, extorsão e cerca de 50 homicídios desde o começo do ano passado, com muitas das vítimas a serem dadas como desaparecidas.

As autoridades locais estimam que as milícias controlem cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro.

Com início na década de 1990, as milícias eram compostas, principalmente, por ex-polícias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.

Durante anos, chegaram a ser elogiadas por políticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milícias em 2008.

No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilícitos e até assassínios.

Atualmente, alguns especialistas em crime argumentam que as milícias tornaram-se na maior ameaça à segurança do Rio de Janeiro e que os seus métodos estão a ser copiados em outras cidades brasileiras.

As autoridades judiciais do Rio de Janeiro, criaram nesta semana um tribunal especial de juízes "sem rosto", cujas identidades estão escondidas, para julgar milícias, narcotraficantes e responsáveis por branqueamento de capitais, que não temem represálias.