O ex-vice-Presidente norte-americano Al Gore mostrou-se hoje convicto de que os Estados Unidos da América (EUA) vão manter-se no Acordo de Paris, pois apenas podem retirar-se “no dia a seguir às próximas eleições”.

Nos EUA temos um Presidente instável. Não lhe quero dar mais oxigénio, mas muitos não sabem que, de acordo com lei dos EUA e a lei internacional, o mais cedo que os Estados Unidos se podem retirar do Acordo de Paris é o dia seguinte ao das próximas eleições. E se houver um novo presidente?”, questionou o também prémio Nobel, numa conferência no âmbito da Climate Change Leadership, que termina hoje na Alfândega do Porto.

Al Gore notou que um novo Presidente dos EUA “demorará 30 dias” a tomar posse e isso significa que o país estará “novamente dentro do acordo” que vincula vários países a uma agenda comum contra as alterações climáticas.

O ex-vice-Presidente norte-americano falou durante quase duas horas na conferência intitulada "Protocolo Porto - Um caso de otimismo na crise do clima", tendo a gravação áudio da sua intervenção sido limitada aos primeiros minutos.

Al Gore notou que, apesar da decisão do atual Presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar do Acordo de Paris, “vários estados” norte-americanos “estão a avançar mesmo sem o governo federal”.

Al Gore citou o exemplo da Califórnia e a meta de 100% de energias renováveis.

O ex-governante, que se tem empenhado no combate contra o aquecimento global e as alterações climáticas, destacou ainda que “30 países, incluindo Portugal, se juntaram ao acordo de descarbonização”.

Mais de 160 empresas globais comprometeram-se e a indústria vitivinícola está a ajudar, liderando o caminho”, frisou.

Al Gore é fundador e presidente da administração da The Climate Reality Project, uma organização não lucrativa dedicada a resolver os problemas do clima, e autor de vários livros sobre os impactos das alterações climáticas.

O Protocolo do Porto é um acordo de compromisso de união de esforços e criação de uma base de dados para combater as alterações no clima, assinado naquela cidade em 2018.

O documento pretende reunir um maior esforço das empresas para enfrentar um problema “que toda a humanidade partilha, mas que tem um impacto direto no setor agrícola”.