Mais de metade da população mundial (52%) está atualmente confinada nas suas casas por ordem das autoridades para combater a propagação da doença Covid-19, segundo um balanço esta terça-feira avançado pela agência France Presse (AFP).

De acordo com as contas da AFP, mais de quatro mil milhões de pessoas em quase 100 países ou territórios estão neste momento a cumprir medidas de confinamento.

As populações em questão representavam esta terça-feira 52% da população mundial atual, estimada pelas Nações Unidas em 7,8 mil milhões de pessoas.

Ao longo das últimas semanas, o número de pessoas confinadas por causa do novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem vindo sempre a progredir.

A 18 de março, o número rondava os 500 milhões de pessoas, tendo aumentado em poucos dias, em 23 de março, para mais de mil milhões de pessoas.

Num período de apenas um dia, em 24 de março, as informações recolhidas já apontavam para mais de dois mil milhões de pessoas confinadas a nível global.

O número ia continuar a crescer e, num espaço de 24 horas, passaram a ser mais de três mil milhões de pessoas confinadas por causa da pandemia da covid-19.

Esta terça-feira, o número aponta para pelo menos 4,06 mil milhões de pessoas confinadas em pelo menos 97 países e territórios.

A província chinesa de Hubei (centro da China) e a sua capital Wuhan, onde foram detetados em dezembro os primeiros casos de Covid-19, foram as primeiras a decretar o confinamento da população no final de janeiro.

Neste momento, e após cerca de dois meses de confinamento, estas zonas estão gradualmente a regressar a um ritmo normal.

Em contrapartida, as medidas de contenção têm vindo a espalhar-se pelo mundo desde meados de março.

Atualmente, a maioria da população mundial visada – pelo menos 2,86 mil milhões de habitantes em 53 países e territórios - está sujeita a medidas de confinamento obrigatório.

Nenhuma zona do mundo é exceção: Europa (Portugal, Reino Unido, França, Itália, Espanha), Ásia (Índia, Nepal, Sri Lanka), Médio Oriente (Israel, Iraque, Arábia Saudita, Jordânia, Líbano), África (África do Sul, Marrocos, Zimbabué, Ruanda), América (uma grande parte dos Estados Unidos, Colômbia, Argentina, Peru, Bolívia) e Oceânia (Nova Zelândia).

Na maioria dos casos, ainda é possível sair de casa para trabalhar, comprar bens de primeira necessidade ou cuidar de pessoas que precisam de assistência.

Em outros territórios (pelo menos 13 representativos de 669 milhões de habitantes) é pedido que a população fique em casa, sem, no entanto, tomar medidas coercivas.

É o caso do México, dos principais Estados do Brasil, do Irão, da Turquia, da Alemanha, do Uganda e do Canadá.

Sete regiões japonesas, incluindo a capital Tóquio e os seus subúrbios, entraram hoje nesta lista.

Em pelo menos 24 países ou territórios (cerca de 495 milhões de habitantes) foi decretado um recolher obrigatório, ou seja, as pessoas estão proibidas de sair à rua a partir do fim da tarde até à manhã do dia seguinte.

Esta medida foi imposta em muitos países africanos, como Egito, Quénia, Costa do Marfim, Senegal ou Gabão, e da América Latina (Chile, Guatemala, Equador, República Dominicana, Panamá e Porto Rico).

Em outras regiões do mundo a medida também foi decretada, como é o caso da Tailândia, Síria, Sérvia ou do Koweit.

Outra medida avançada por alguns países, pelo menos sete segundo a contagem da AFP, foi colocar em quarentena as suas principais cidades, o que significa que ninguém entra ou sai destas localidades.

É o caso de Kinshasa (na República Democrática do Congo), Helsínquia (Finlândia) e Baku (Azerbaijão).

Estes aglomerados populacionais em particular representam um total de 30 milhões de pessoas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil.

Dos casos de infeção, mais de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

/ Publicado por Cláudia Évora