A vacina contra a covid-19 produzida pela AstraZeneca está a ser desaconselhada aos jovens adultos com menos de 30 anos no Reino Unido. A recomendação surge de uma nova avaliação do Comité de Vacinas e Imunização (JCVI, na sigla original), que está a aconselhar o governo, e que entretanto foi aceite pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla original).

 A responsável disse que os "sistemas de monitorização detetaram agora um potencial efeito secundário da vacina covid-19 da AstraZeneca num número extremamente mais baixo” de "casos muito raros e específicos de coágulos de sangue com número de plaquetas [sanguíneas] baixas”. 

Enquanto os testes clínicos permitem avaliar efeitos normais, efeitos mais raros só são detetados quando vacina é usada em grande escala”, disse a diretora da MHRA, June Raine, numa conferência de imprensa. 

A decisão segue a de muitos outros países europeus, como Alemanha e França, que restringiram a vacinação com AstraZeneca a maiores de 60 anos, depois de terem sido detetados casos de coágulos sanguíneos em pessoas que tomaram a vacina.

Já esta tarde, a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) admitiu uma possível ligação entre a vacinação e os coágulos, ainda que tenha reiterado confiança na vacina.

No mesmo sentido vai o JCVI, que afirma que os benefícios encontrados superam os eventuais riscos. Só no Reino Unido foram detetados 79 casos de coágulos, alguns deles no cérebro. Destes, 19 pessoas morreram. Apesar disso, recorde-se que o Reino Unido já administrou mais de 20 milhões de vacinas da AstraZeneca, que é produzida em parceria com a universidade britânica de Oxford, e que foi aprovada no país ainda em 2020.

Esta é a primeira vez que uma autoridade de saúde britânica emite uma decisão preventiva em relação à AstraZeneca, tendo até agora dito sempre que não havia quaisquer problemas.

Segundo a EMA, foram registados 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

A AstraZeneca tem estado envolta em polémica devido ao surgimento de coágulos sanguíneos em vacinados com a sua vacina contra a covid-19, entretanto denominada Vaxzevria, situação que levou alguns países europeus a suspender o seu uso e que só foi ultrapassada depois de a EMA ter garantido, em meados de março, que este era um fármaco seguro e eficaz.

O regulador europeu tem desde então vindo a investigar a relação entre a vacina e os episódios de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de pessoas inoculadas com a vacina Vaxzevria.

Já na terça-feira, o responsável pela estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri, tinha assumido a existência de uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e os casos de tromboembolismos após a sua administração, numa entrevista ao diário italiano Il Messaggero, declarações que provocaram desconforto na União Europeia.

Antes, no início da semana passada, a EMA publicou uma atualização sobre o fármaco e, além de divulgar a mudança do nome para Vaxzevria, indicou que “foi incluído na informação sobre o produto um aviso sobre eventos de coágulos sanguíneos específicos muito raros”.

António Guimarães