Os talibãs anunciaram esta terça-feira a formação do novo governo, depois de terem tomado posse do Afeganistão a 15 de agosto, e de a coligação internacional ter deixado o país a 31 de agosto.

O porta-voz do grupo rebelde, Zabihullah Mujahid anunciou os membros do governo "provisório", apontando Mohammad Hasan como o próximo primeiro-ministro do país, enquanto Abdul Ghani Baradar (que era apontado como o principal favorito ao cargo principal) vai ser o vice-líder do país.

Segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, o ‘mullah’ Hassan Akhund chefiou o Governo dos talibãs durante os últimos anos do seu anterior regime (1996-2001) e o ‘mullah’ Baradar, que liderou as negociações com os Estados Unidos e assinou o acordo para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, é um dos seus dois adjuntos.

Sirajuddin Haqqani será o próximo ministro do Interior, e que é procurado pelo FBI, depois de ter fundado o grupo Haqqani Network, que combatia as tropas ocidentais no Afeganistão. Mullah Yaqoob servirá como ministro da Defesa e Abas Stanikzai vai ser o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Os talibãs tinham indicado há uma semana que estavam quase concluídas as rondas de consultas para a formação do novo Governo, que se tornou mais urgente após a partida, a 31 de agosto, do último avião com soldados norte-americanos.

Após quase duas décadas de presença de forças militares norte-americanas e da NATO, os talibãs tomaram o poder em Cabul a 15 de agosto, culminando uma rápida ofensiva que os levou a controlar as capitais de 33 das 34 províncias afegãs em apenas 10 dias.

Desde então, os combatentes islamitas radicais asseguraram em várias ocasiões a intenção de formar um Governo islâmico "inclusivo", que represente todas as tribos e etnias do Afeganistão.