Oito pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante o concerto de Travis Scott no Festival Astroworld, em Houston, Texas. As vítimas mortais são jovens com idades entre os 14 e os 27 anos. O espetáculo, que moveu cerca de 50 mil pessoas àquele recinto, deixou centenas de pessoas em pânico quando começaram a ver os espectadores a sentirem-se mal durante a atuação do rapper.

À AP News, Ariel Little, de Nova Iorque, relatou o cao que viveu. A mulher estava no meio da multidão e foi por breves segundos que conseguiu escapar à multidão de pessoas que se atropelaram no recinto.

O meu peito ainda está apertado. Só me consigo lembrar de pessoas a gritar que queriam sair dali”, disse.

À CNN, TK Tellez contou a experiência que viveu nesse dia, avançando que nada prepara as pessoas para tamanha tragédia.

Tellez e a namorada ficaram perto do palco na expetativa de verem melhor a atuação do rapper. Mas, ainda antes de Scott aparecer, as coisas começaram a "ficar feias". Uma multidão avançou quando o artista chegou a palco, contou o homem à cadeia televisiva.

A multidão ficou cada vez mais junta e era difícil respirar. Quando Travis apareceu para cantar a primeira música, vi pessoas a desmaiar ao meu lado”, relatou o jovem de 20 anos.

“Gritámos todos por socorro mas ninguém nos ajudava, nem sequer nos ouviam. Foi horrível. Uma multidão a gritar, a lutar pela vida sem conseguir sair do lugar. Ninguém se conseguia mexer”, continuou.

Os espectadores descreveram o evento como traumatizante, com vários relatos de pessoas pisadas durante o caos. Por outro lado, havia quem lutasse para sair daquela multidão enquanto o concerto continuava.

Todos estavam a chorar, foi o som mais aterrorizador que já ouvi”, lembrou Tellez, dizendo que ouvia o rapper a cantar ao mesmo tempo que milhares de pessoas gritavam em pânico e se amontoavam.

O homem reforçou que foram várias as tentativas para salvar quem se estava a sentir mal no recinto, mas “não havia pessoas suficientes para ajudar todos”, disse. “Este festival vai ficar na minha memória para sempre. Nunca tinha visto alguém morrer à minha frente, foi horrível”, rematou.

Já Selena Beltran, também a assistir ao concerto, relatou que sentiu que estava dentro de um “pesadelo”. Perdeu de vista os quatro amigos com quem estava e quando a multidão em seu redor começou a saltar, perdeu o equilíbrio e caiu para trás.

“Pensei que fosse o fim, que ia morrer, fiquei com tanto medo”, disse a mulher à CNN.

À semelhança de Tellez, Beltran também recorda o momento em que várias pessoas começaram a perder a consciência mas que nem isso foi motivo para deixarem de ser pisadas.

Fiquei chocada com a forma selvagem como as pessoas agiram. Foi uma loucura ver tantas pessoas a atropelarem-se. (...) Sentia que ia entrar em pânico a qualquer momento, estava a tentar manter a postura, foi assustador”, continuou. “Olhei à volta e havia pessoas que se continuavam a divertir como se nada fosse”.

Jeffrey Schmidt e o melhor amigo, Casey Wagner, acreditavam que ia ser um fim de semana inesquecível mas nunca pensaram que fosse por estes motivos.

Eu e o Casey decidimos dar o nosso melhor para sair da multidão. Mal sabíamos que o inferno estava prestes a explodir. As pessoas começaram a desmaiar e cair no chão", relatou Schmidt à CNN. Os jovens explicaram que tentaram impedir que a multidão avançasse, mas que era impossível.

"Naquele momento, a minha mente entrou em modo de sobrevivência total. Só conseguia ouvir pessoas a gritar, chorar e implorar por ajuda", disse Schmidt. 

Perdi a esperança, pensei que ia morrer ali porque não conseguia sair. Isto não foi um concerto, foi uma luta pela sobrevivência”, relatou o jovem que afirmou ter visto “várias pessoas inconscientes e outras desesperadas por ajuda”.

Lembre-se que este sábado, o mayor da cidade de Houston fez uma atualização dos números sobre a tragédia no festival Astroworld.

De acordo com Sylvester Turner, que falou à comunicação social ao início da tarde, as vítimas mortais tinham entre 14 e 27 anos: uma vítima tinha 14 anos, outra de 16 anos, duas de 21 anos, outras duas de 23 anos e uma de 27, havendo ainda uma vítima cuja idade não foi revelada.

As autoridades vão agora continuar a investigação para apurar o que aconteceu ao certo: "É uma investigação muito ativa e vai durar algum tempo para determinar o que aconteceu". Uma das hipóteses em cima da mesa é que as vítimas possam ter sido drogadas.

O rapper Travis Scott reagiu também à tragédia. O músico disse estar "absolutamente devastado" e disponível para dar "todo o apoio" à investigação da polícia. Num comunicado partilhado através da rede social Twitter, Travis Scott agradece ainda ao pronto socorro das autoridades.